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Segunda-feira, Novembro 30, 2009
eu já estava deitada quando pedi Maurício me leva pro Recife que quero ser amiga dele e Maurício respondeu você nem conhece ele é só uma entrevista na Globo News e ele vai fazer oitenta e oito anos não vai querer nada com você eu disse Maurício preciso ir urgente pro Recife quero ser amiga dele ele disse que não entende que vai fazer oitenta e oito e que todos os amigos morreram, menos um eu queria muito mesmo que você me levasse agora pro Recife, Maurício só não tenho certeza se ele está no Recife ou em Brasília que ele é professor na universidade Maurício me leva Maurício vou-me embora pra... Maurício responde que isso é sono que isso passa explico que não tive uma infância no Recife e isso me faz um pouco mal nem um avô tive lá nem uma rua que possa ter virado doutor fulano de tal que eu não era a moça nua que Manuel Bandeira viu no banho porque nessa época eu nem era nascida mas que podia ser de tão distraída só que nunca botei o pé no Recife Maurício corrige isso Maurício me explica por que fiquei tão presa nesse Recife da literatura do Bandeira e desse poeta Edson Nery da Fonseca que tá passando a essa hora na Globo News?
posted by Dedê Ranieri @ 1:50 AM

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Terça-feira, Novembro 24, 2009
por Mauricinho Lodi (essa pessoa que assina o textículo abaixo diz que odeia escrever. só que durante o apagão, enquanto eu escrevia à luz de velas na cozinha, ficou narrando isso tudo. ditou o texto inteirinho e ainda disse: bota lá no blog, mas fala que é seu. pessoa cínica! 11/11/2009)
São Paulo. Rio. Belo Horizonte. Brasília. Santa Rita do Passa Quatro. Barão de Cotegipe. Quincuncá. Passa e Fica. Paraguai... Tudo escuro! Estações de rádio fora do ar, pane no sistema de telefonia, caos no trânsito, interrupção no abastecimento de água, pânico nas UTIs, resgate no metrô... quem poderá nos salvar desse pandemônio? (A bruxa do 71 acusaria: É você, Satanás!). A previsão para o reestabelecimento da normalidade energética é de alguns dias, quem sabe semanas, segundo jornalistas mais pessimistas da rádio AM. Os economistas já reveem a projeção do PIB de 2010, de 4,5% à estagnação total. Mercados são saqueados. Motim nos presídios. Adolescentes à base de calmantes devido à falta de comunicação virtual. Arrastão nas grandes avenidas. Blogs desatualizados. Velhinhas tentando chegar em casa, no 27º andar. Namorados sem msn. Separações mais dolorosas que aquelas provocadas pelo Muro de Berlim. Lembrei de quando a vovó dizia pra olhar o lado bom das coisas, por mais que tudo parecesse mergulhado na mais completa escuridão (sem trocadilhos, por favor). Então pensei com meus botões, quando de novo neste século (ou nesta vida) vou ter a oportunidade de conhecer o céu (o verdadeiro céu) de São Paulo com a cidade totalmente às escuras? Algum engraçadinho se anteciparia dizendo "no governo, Lula, oras!". Mas, possíveis gracinhas à parte, continuei no pensamento. Quem nesta micro-região geográfica conhece um céu sem interferência das luzes da cidade? O que poderia eu encontrar? Alpha Centauri? Ursae Majoris? Nu capricorni? (signo da minha musa!). Estrelas cadentes? Cometas em curso? As crateras da lua? Vênus descamisada? São Jorge dando banho de mangueira no dragão? Continuei pensando e cheguei a uma conclusão: Pra que tanta especulação, se com apenas alguns passos eu poderia descobrir isso tudo da sacada do 6º andar? Como um verdadeiro Dom Quixote urbano, empunhei minha lanterna (pra não tropeçar na Juma) e rumei para a sacada. Decepção foi pouco, tudo nublado!
ps.: Deu no meu rádio à pilha: Zona Leste começa a se acender (1h17).
posted by Dedê Ranieri @ 1:23 AM

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Quarta-feira, Novembro 18, 2009
Sobre Anaïs Nin
Acabei de ler Anaïs Nin, Uma espiã na casa do amor. Me lembrou aqueles livros da série Júlia, Sabrina, Bianca, que vendia em bancas de jornal. Minhas irmãs liam meio que às escondidas. Eu lia, um ou outro, totalmente às escondidas, quando acabavam os gibis. A personagem de Anaïs Nin se chamava Sabina. Pode ser que alguém se ofenda, mas achei uma porcaria! Os romances baratos da banca de jornal eram bem mais envolventes. Como já dizia o velho Bukowski, cada nova linha é um começo e não tem nada a ver com as linhas que a precederam. Alguns escritores tendem a escrever o que agradou seus leitores no passado. Daí estão fodidos. Não sei se esse é o caso de Anaïs Nin, já que nunca tinha lido um romance dela por inteiro. Mas o caso é que Uma espiã... foi um parto. Gostei mais de saber alguns detalhes da vida da escritora do que exatamente do livro. Alguma coisa sobre um romance com Henry Miller, que escreveu Trópico de Câncer e se consagrou. Eu nunca compraria um livro com esse título. Trópico de Câncer. Parece livro didático de geografia. Li em algum lugar que ela prefaciou o livro. E pensar que encontrei uma edição no sebo outro dia, e acabei fazendo uni-duni-tê com Lolita (Lolita saiu ganhando). Queria ler o prefácio. Eu gosto de saber desse tipo de romance. Vai ver peguei essa bronca toda porque na última frase do livro ela me fez recorrer ao dicionário. Pule o que vem a seguir, caso pretenda ler o romance. O livro termina com a seguinte frase: Existe um remédio na homeopatia, chamado pulsatila, para as pessoas que choram com a música. Pulsatila!... Não serei eu a explicar o que é pulsatila.
Sobre Cortázar
No dia em que adotei uni-duni-tê como método de escolha entre um livro e outro, uma certeza eu tinha. Ia levar Cortázar pra casa. O jogo da amarelinha. Cheguei até àquela banca-sebo seguindo pistas de um amigo. Lá tem uma edição d'O jogo da amarelinha, disse ele. Eu queria muito esse livro, sem saber exatamente o por quê. Assim como precisava muito ter comigo uma cópia de Blow-up - Depois daquele beijo (na época em que nem sabia que o Antonioni tinha se inspirado num conto do escritor argentino, Las babas del diablo). Quase sempre coloco o filme um pouco antes de dormir. Antes que algum maldoso comente, Blow-up não é um tipo Rivotril do mundo do cinema. Ele é uma obra de arte silenciosa e colorida. Se tivesse cinco minutos a mais de som, ficaria over. O negócio é que encontrei uma edição do Cortázar, de 68. Sessenta e oito, o famoso ano que não terminou. Época de ditadura no Brasil e Guerra do Vietnã. Assassinato de Robert Kennedy e Martin Luther King. Manifestos do movimento estudantil da Sorbonne à Maria Antônia. Um ano que vibrava revolução. No mundo. Eu encontrei uma edição do Jogo da amarelinha, de 68. Uma edição lançada no período revolucionário que só conheci através de outros livros. Um livro que tinha visto muito mais coisas do que eu, filho legítimo de Julio Cortázar. Como esse livro foi parar no sebo? Na contracapa uma assinatura legível em caneta (Bic?) azul: Fátima. Convenhamos, alguém que tem o capricho de assinar o próprio nome num livro, não tem a intenção de se desfazer dele. Será que foi problema de dinheiro? Imagino uma tia distante sussurrando em algum velório: "Pobre Fátima, acabou com tudo, vendeu até os livros da biblioteca do avô...". Teria sido uma mudança inesperada pra uma quitinete, por causa de um amor bandido? Pior. Fátima pode ter emprestado o livro pra alguém que esqueceu de devolver. Alguém que numa dessas limpezas que a gente faz pela vida, decidiu seu destino: Sebo tal da Marechal número tal. Alguém que nem se lembrava que era um livro emprestado de Fátima.
Sobre paradigmas
Hoje descobri que não gosto de tomar água de côco com canudinho. Muito melhor no copo. Eu que sempre tomei água de côco de canudinho. Foi aquele copo gigante do hard rock cafe, viciante. Sou capaz de tomar litros e litros de água de côco naquele copo. Hard Rock Cafe New York. A maior quebra de paradigma dos últimos tempos. Pelo visto não tenho quebrado muitos paradigmas nos últimos tempos. Coisa inútil lembrar do canudo a essa hora.
posted by Dedê Ranieri @ 2:20 AM

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Terça-feira, Novembro 17, 2009
"Um idiota que escreve bem sobre o nada". Foi assim que Maurício descreveu Bukowski quando li em voz alta as primeiras linhas do seu diário. Levei um choque. Foi mesmo uma coisa estranha ouvir alguém que eu gosto falar assim de outro alguém que eu gosto. Como se tivesse, sei lá, xingado alguém da minha família.
Não que eu tenha algum tipo de preferência, relação ou carinho especial pelo Bukowski, mas sempre me diverti lendo seus textos malditos. E tem toda a tradição dos malditos, são os beatniks, porra! (acho que sou facilmente influenciada). Maurício não respeita nada. O Maurício está cagando para os mitos. E as avós ainda acham ele educado. Cínico, isso sim que ele é. A coisa toda começou no sábado mesmo. Fiquei esperando o Maurício me buscar no salão de cabelereiro. Coiffeur. É como preferem hoje em dia. Mas coiffeur remete a algo mais glamuroso, o que definitivamente não era o caso daquele salão, um calor dos diabos e o lugar não tinha ar-condicionado. Ou seja, não era coiffeur nem aqui nem na China.
A questão é que eu estava pronta e não queria esperar o Maurício ali naquela antessala do inferno, de modo que aproveitei o tempo livre pra caminhar até um sebo no mesmo quarteirão. Tenho fixação por sebos, livrarias, blibliotecas. Aquela coisa toda me chama. Em outra vida devo ter sido um livro.
Corri os olhos nas primeiras prateleiras, vi as Brumas de Avalon, faltava o primeiro volume. Cavalo de Tróia, todos os volumes. Metade da estante pra cima era Paulo Coelho. Os outros eram espírita. Zíbia Gasparetto disputando espaço com Paulo Coelho. O mundo anda tão místico.
Fui para os fundos da loja e fiquei esperando um livro me chamar. Gosto daquela sensação de encontrar um livro que me chama. Eu entro e espero. Isso quase sempre acontece, se eu deixar acontece. Dessa vez aconteceu. Eram os malditos lado a lado. Jack Kerouac e Charles Bukowski. Fiquei arrepiada. Esses dias li em algum lugar um trecho do Kerouac e copiei pra minha amiga Isabel.
(Aqui estão os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os criadores de caso. Os pinos redondos nos buracos quadrados. Aqueles que vêem as coisas de forma diferente. Eles não curtem regras. E não respeitam o status quo. Você pode citá-los, discordar deles, glorificá-los ou caluniá-los. Mas a única coisa que você não pode fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas. Empurram a raça humana para a frente. E, enquanto alguns os vêem como loucos, nós os vemos como geniais. Porque as pessoas loucas o bastante para acreditar que podem mudar o mundo, são as que o mudam.)
Isabel é do tipo pino redondo em buraco quadrado. Ela é um pino genial e que me enche de energia com as nossas conversas. A coisa toda é que copiei esse trecho pra Isabel faz umas duas semanas e de repente Kerouac me chama da prateleira, com Os vagabundos iluminados e Viajante solitário. Na dúvida, peguei os dois.
Olhei de volta, o Bukowski estava lá. Pude ouvir os xingamentos. Não gosto de me sentir pressionada. Mas ele estava ali bem na minha frente e eu havia levado o Jack. O velho safado não podia ficar lá sozinho. Sem bebida ou baseadinho por perto. Levei.
Os livros eram novos, da L&PM Pocket, de modo que pedi desconto, pois me sinto uma péssima negociante quando entro num sebo e pago como se estivesse na livraria Cultura. Sou tão péssima com isso que mesmo conseguindo 5%, acabei deixando lá, porque os meninos pediram caixinha de Natal. Quando Maurício chegou eu mostrei os livros e ele não deu muita bola para os ícones da geração beat, mais interessado em olhar a sacola de doces. Parece o pai dele. Pior é que diz que só come doces quando está comigo. Cínico.
Comemos um polenguinho. Também tinha salgados na sacola de doces. Ele sempre acaba mais depressa e fica de olho no meu. Mas nunca aceita quando ofereço. O Maurício parece a minha mãe, sempre quer me dar o melhor pedaço, sempre me dá o recheio. Depois dele, nunca mais comi borda de pizza. Só recheada. Definitivamente, ele me deixa mal acostumada e eu acho isso muito bom. Estou sempre pensando numa forma de recompensar o Maurício pelas bordas que ele come no meu lugar.
Chegamos em São Roque uma da manhã. Outro dia no jantar, o Igor contou que a funcionária do Cartório de Registro de Imóveis escreveu São Rock! na escritura, o que foi motivo de risadas. Mas no fim eu achei bem mais bonito assim, São Rock. Maurício queria continuar na cerveja e eu inaugurar uma garrafa de prosecco, em São Rock! Pegamos as duas.
Maurício sugeriu que bebêssemos na piscina e eu até estranhei porque ele odeia insetos e aquela era uma hora propícia. Pediu ainda que eu lesse alguma coisa pra ele. Ele sempre diz que tem preguiça dos livros. Peguei Os vagabundos iluminados, feliz de doer, mas ele preferiu O Capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio, do velho. Me explicou que preferia esse, pois se tratava de trechos do diário que Bukowski escreveu um pouco antes de morrer. O Maurício sempre me surpreende. Se ele não estava prestando atenção quando falei dos livros e se tem preguiça de ler, como podia saber de tudo isso? Cínico!
Abriu uma heineken tamanho família e ficou tentando afastar os insetos enquanto eu começava a leitura. "Um idiota que escreve bem sobre o nada". Foi assim que Maurício definiu Bukowski quando li em voz alta as primeiras linhas do seu diário. O Maurício não respeita nada. O Maurício está cagando para os mitos. E as avós ainda acham ele educado.
posted by Dedê Ranieri @ 3:22 PM

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Segunda-feira, Outubro 26, 2009
Genial Clarice. Amada Isabel.
(Por essas e outras que o nosso chopp nunca tem hora pra acabar)
"Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Até cortar os defeitos pode ser perigoso – nunca se sabe qual o defeito que sustenta o nosso edifício inteiro... há certos momentos em que o primeiro dever a realizar é em relação a si mesmo. Quase quatro anos me transformaram muito.
Do momento em que me resignei, perdi toda a vivacidade e todo o interesse pelas coisas. Você já viu como um touro castrado se transforma em boi. Assim fiquei eu... Para me adaptar ao que era inadaptável, para vencer minhas repulsas e meus sonhos, tive que cortar meus grilhões – cortei em mim a forma que poderia fazer mal aos outros e a mim.
E com isso cortei também a minha força. Ouça: respeito mesmo o que é ruim em você – respeite sobretudo o que imagina o que é ruim em você – não copie uma pessoa ideal, copie você mesma – é esse seu único meio de viver. Juro por Deus que, se houvesse um céu, uma pessoa que se sacrificou por covardia ia ser punida e iria para um inferno qualquer. Se é que uma vida morna não é ser punida por essa mesma mornidão. Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo o que sua vida exige. Parece uma vida amoral. Mas o que verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma.
Gostaria mesmo que você me visse e assistisse minha vida sem eu saber. Ver o que pode suceder quando se pactua com a comodidade da alma.”
C. Lispector
posted by Dedê Ranieri @ 11:13 PM

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Sábado, Setembro 19, 2009
Não consigo dizer não ao palhaço
O palhaço me aborda num semáforo. Vem saltitante e elogioso, com um sorrisão na cara: "ÔÔÔ moça bonita, por cinquenta mil você leva um pirulito!!!". A piada nem tem graça, mas ele é o palhaço e não tem como não rir do palhaço. Em algum lugar do seu hipocampo está registrado que você tem que rir do palhaço. Até quando você sente medo dele. Tem gente que tem medo de palhaço, sabia?, mas ri assim mesmo. Eu me sentiria uma pessoa má, daquelas muito más mesmo, se não risse do palhaço. Imagina não ceder praquele riso largo. Desconfio das pessoas que não devolvem o sorriso cordial. Desconfio das pessoas que não riem do palhaço. Vai ver eu tenho medo de parecer má não rindo do palhaço. Vai ver eu tenho medo que o palhaço me leve a mal. Talvez eu me enquadre na categoria de pessoas que têm medo do palhaço (inspiração aos Clowns de Fellini, caso tivesse nascido naquele tempo). Eu pego a primeira moeda que vejo pela frente e entrego ao palhaço. Ele se inclina num agradecimento todo rebuscado, depois de me oferecer um pirulito em espiral colorido. E eu sigo aliviada por ter me livrado dele. Eu digo não ao juiz sem hesitar. Eu digo não ao promotor sem gaguejar. Mas não consigo dizer não ao palhaço! Sexta passada fui abordada de novo. Ele veio saltitante, elogioso. Sem vontade de comprar o pirulito combinei comigo mesmo que diria não. Mas é aquela história. Com um sorriso meio amarelo balancei a cabeça em negativa. Um risinho escapando no canto da boca. Uma negativa sorridente. Porque eu tenho bronca daquelas pessoas que recusam as coisas no semáforo com grosseria. Ficam tão superiores dentro do carro. Mas isso não tem nada a ver com o palhaço. O caso é que eu neguei de leve e ele insistiu, porque o palhaço sabe quando você não está sendo enfática. Ele tinha certeza. Olhei de lado e vi uma moeda de 10 centavos. Eu disse: ihhhh só tenho dez centavos (sim, pessoas, às vezes dirijo com o vidro meio aberto, deixando expostas moedas de dez centavos). O palhaço cantarolou: "contribua com quanto tiver, madame!". Eu dei os dez centavos e fiquei esperando o pirulito. Ele disse: "muito obrigado, madame" e passou para o próximo carro. Espero que depois dessa eu consiga dizer não ao palhaço.
posted by Dedê Ranieri @ 3:20 AM

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Terça-feira, Setembro 01, 2009
... A mulher disse não serve meu bem, não fecha o zíper. De costas, não reparei na expressão refletida no espelho, ocupada em encolher ainda mais a barriga. Ai moça, amei esse verdinho, a costureira deve dar um jeito, elas sempre dão um jeitinho. Prove os outros, ela insistiu entre seca e apressada, esse não tem como. É o tecido. Se mexer fica marcado, cetim. Ainda por cima é primeiro aluguel, experimenta outro. Não quero – acho que fiz bico. Já não tenho mais idade para bicos, mas quando olhei no espelho ele já havia se instalado, que remédio? Não quero provar os outros, quando eu gosto de um já viu, não tem Cristo que convença, tentei desfazer a má impressão (talvez) causada pelo bico involuntário. Pela primeira vez fixei os olhos na mulher. Devia ter uns cinquenta anos, pele morena sem viço, cabelos idem, nas unhas o esmalte descascando, roliça e mais baixa do que eu (o que não era bom sinal). O olhar sem expectativas, oblíquo. Nunca fui ajudada por alguém com um olhar assim. Pior, tinha começado tudo errado. A mulher notou desde o primeiro instante que eu queria muito, muito mesmo, o verdinho, e eu ali, quase implorandinho, só ela poderia me salvar, mas naquele momento eu que me tornara sua redenção. Não dá, ela repetia tentando disfarçar a satisfação em negar o meu maior e mais atual desejo. Essa maldita mania de falar tudo no diminutivo e ainda fazer biquinho bico com mulher, contando tudo tudinho logo de cara. Já era tarde, mas sempre há tempo aos obstinados. O proprietário, ele está? A mulher recuou. Sim. Vou conversar com ele então, de repente pode ajudar, posso propor a compra em vez de aluguel, daí pode dar uma mexidinha – claro, diminutivos e biquinhos sempre funcionam melhor com eles. A mulher fazia cara de sonsa, mas aos cinquenta, até (ou principalmente) as sonsas conhecem certos truques manjadíssimos, razão pela qual enquanto eu me fechava no provador para tirar o objeto verde-oliva do meu desejo, ela se adiantava ao proprietário sabe-se-lá sob que discurso e voltava com a notícia. É, não dá mesmo. Mas eu queria falar com ele (euzinha) sobre comprar o vestido. Também não dá. Mas a senhora falou? Sim, pra sábado não dá, tem os ajustes... Então vou falar direto com a costureira, se eu pedir, chorar e disser que até fiquei doente pelo verdinho, ela me encaixa até sábado, a senhora não acha? Eu já sabia a resposta, Não dá estava costurado na língua da mulher. Ela variou a negativa. Impossível, tem o corpo de baile pra sexta! Ela ainda não havia me vencido. A sala da costureira? Em outra loja. Nunca fui ajudada por alguém com um olhar assim. Okay você levou!, quase gritei para a mulher oblíqua, mas as regras sociais que mamãe ensinou fez com que eu apenas agradecesse com um sorriso esquisito e saísse logo dali. O verdinho tão perto e inacessível, esses amores são fatais, conheci muitos casos que agora não vem ao caso. Na saída, o proprietário dedicado me abordou sorridente. E aí, deu certo? Eu que já saia vencida, despida de todo o destrambelhamento inicial, enxerguei mais uma possibilidade e nela me agarrei com força. Retribuiria o sorriso do velho com quantos diminutivos lhe coubessem. Olha, o senhor tem cada vestido lindo aqui, eu amei o verdinho, queria tanto... Mas por pouco pouquinho o zíper não fechou, o senhor dá uma ajudazinha?... É que é pra sábado, sabe? Touché touchézinho!... Doraaaaa, a moça aqui gostou do verdinho, você dá um jeitinho pra sábado? Então ela se chamava Dora. Dora, a mulher que com o polegar nervoso raspava um resto de esmalte no indicador da outra mão. Dora, era ela a própria costureira, que mentia que a costureira ficava na outra loja. O corpo de Dora recuava, mas a boca resignada dizia sim patrão, e num sincronismo inesperado – Dora, a cara de sonsa - junto com a boca lançou-me pela primeira vez um olhar direto, em que pude ler cada letra até então disfarçada no oblíquo: sua vadiazinha dos diminutivos! Tinha até ponto de exclamação na frase estampada nos olhos de Dora.
posted by Dedê Ranieri @ 5:51 PM

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Quarta-feira, Maio 27, 2009
A primeira vez que saí com você chovia aos cântaros. Eu quase não estava atrasada, só um pouquinho porque chovia muito e eu tinha medo de derrapar na pista e amassar o vestido e parecer afobada na hora da chegada. Quando você ligou eu me expliquei tentando não falar rápido demais, palavra por palavra, que era a chuva, não era desculpa, o mundo estava caindo naquele dia, você devia olhar pela janela, meu bem, olha a chuva, olha a chuva pela janela. Eu particularmente acho um charme marcar encontro em dia de chuva, acho que foi um filme, um filme nacional. Amores possíveis, já viu? Carolina Ferraz e Murilo Benício marcam um encontro no cinema num dia de muita, muita chuva, e ela não vai, e ele espera, e três histórias se desenrolam a partir daí, com três possibilidades do que poderia ter sido, do que não foi. É uma comediazinha romântica que me deixou de quatro e apaixonada por encontros em dias de chuva e pelas possibilidades, apesar de na prática odiar qualquer programa que não seja dentro de casa em dias de chuva, a chapinha meu bem, o cabelo arrepia. Mas o nosso, o nosso encontro não tinha qualquer possibilidade de dar errado no meio daquele temporal, nem com o cabelo arrepiado, vestido amassado, derrapando na pista. Alguns minutinhos de atraso, já tô chegando. E você levou um choque, pediu pra eu me atrasar ainda mais, que contava com o costumeiro atraso, ia entrar no banho, e eu inventei uma passadinha na casa da minha amiga sua vizinha, e esperei no posto de gasolina daquela avenida atrás do seu apartamento retocando batom, lendo Vejinha São Paulo e escolhendo uma nova opção para local do encontro, topo descoberto do Unique já era, como chovia, chovia muito em São Paulo, e eu fui te buscar no meio do pré-dilúvio com meu carro falhando a marcha, e acho que você tomava banho olhando a chuva pela janela com aqueles olhos pequenos que eu ainda não decifrava. Eu lia e retocava o batom e qualquer vestígio de olheira, porque os dias de chuva são péssimos para a pele e olheiras então nem se fale. Chovia tanto em São Paulo naquele dia e o tempo não passava, eu estava adiantada, adiantada pela primeira vez na vida, esperando no posto o telefone tocar, na cabeça Grace Jones cantando La vie en rose, na mão a Vejinha São Paulo, gloss pra retocar segundos antes da sua chegada. Daí você entrou no carro de jeans e camiseta vermelha e quase pisou na garrafa de saquê e queria saber porquê uma garrafa de saquê no chão do carro, sorrindo com o olho pequeno. Eu de Grace Jones na cabeça, a marcha falhando. Como chovia em São Paulo naquele dia, meu bem.
posted by Dedê Ranieri @ 12:27 AM

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Terça-feira, Maio 19, 2009
Oficina de Escrita de Contos Infanto-Juvenis Coordenador: Manuel Filho

O Gordo da oitava Idade, dezesseis.
Tem olhos profundos e claros, cabelos castanhos médios, puxando para o cinza pardacento e uma falha na sobrancelha esquerda, diria um observador mais atento.
O nariz não é grande nem pequeno, nem bonito nem feio, normal.
As maças do rosto são rosadas, com um aspecto saudável e vibrante, e sardas quase imperceptíveis.
Tem a boca pequena, pequena até demais para o seu tamanho, num formato de morango simetricamente perfeito.
Não gosta que reparem, menos ainda que comentem, mas acha que tem o umbigo saltado demais em comparação ao das outras pessoas.
Tem 1,81 m de altura, aparentando menos, culpa da época em que se encolhia para não parecer nem mais gordo, nem mais alto.
É carioca da Gávea e nunca explicou porque torce para o XV de Jaú, ou Esporte Clube XV de Novembro, como prefere chamar.
Mora com o pai, a mãe, a irmã mais nova e a avó num apartamento de três quartos, com vista para um parque cuja grama nunca está suficientemente baixa.
A diarista vem duas vezes na semana e nas duas costuma debater com o porteiro que diarista é empregada sim! e tem direito a todas as verbas previstas na CLT, assim, bem na cara do gordo, na certa para que conte à sua mãe para tomada de providências, como registro em carteira.
Na sacada tem uma calopsita que já ganhou dois concursos nacionais.
Já teve vários apelidos na escola, mas foi na oitava série que um pegou mesmo, de simplesmente Gordo virou O Gordo da Oitava.
Quando um amigo arruma confusão, é só dizer vou chamar o Gordo, que a molecada se espalha que nem formiga em formigueiro pisado sem querer.
Só não entende uma coisa o Gordo da Oitava: nunca brigou na escola, nem na rua, nem em lugar algum, portanto não sabe de onde veio essa fama de brigador, mas não acha ruim não.
Toda quarta, que ninguém ouça, depois da novela das oito, prepara um escalda-pés para a avó.
Odeia beijinho de coco e maître que pensa que é francês. Pensando bem, odeia os que são franceses também.
Odeia segundas-feiras e sua banda favorita é Boomtown Rats, coincidência ou não, prefere I don't like mondays para ouvir no volume máximo (já gostou da banda RPM, mas hoje se arrepende).
A mania de tanto reclamar da segunda lhe rendeu um presente inusitado no último aniversário: um livro intitulado O Homem que odiava a segunda-feira, de Ignácio de Loyola Brandão. O gordo achou engraçado (o título, porque até hoje não leu o livro) e pensou que um dia queria conhecer esse cara.
Gosta da junção das palavras “aurora boreal” e já até pensou em escrever uma história com esse nome na aula de redação, mas ficou vermelho só de imaginar a leitura em voz alta na frente da classe, e o que é pior, da Maria Fernanda.
Fato relevante: uma vez a tia o convidou para assistir a um filme, ele não gostou muito da idéia, “filme de mulher”, debochou em pensamento, “deve ser Titanic”, mas a tia havia recém-separado do marido e ele ficou com pena de dizer não.
Era a história de um garotinho chamado Totó que ficara fascinado pelo cinema da pequena cidade onde morava, zzzzzzzz.... e desenvolveu uma bonita amizade com o velho projecionista local, zzzzzzzzz.... ia dormir, certeza.
Acontece que aconteceu o que se imaginava inacontecível: o menino não despregou o olho da tela nem por um minuto, e umas cinco ou seis vezes segurou com força um gosto estranho que descia rasgando pela garganta, e como ótimo e improvisado disfarce tirou sarro da cara vermelha de sua tia, que enxugava os olhos com os últimos kleenex da caixinha.
Ah, o filme? chamava Cinema Paradiso, assistiu muitas outras vezes.
O fato é relevante porque quando o pai ordenou que arrumasse um emprego, logo pensou que queria trabalhar no cinema, era aquilo que queria, estava determinado assim como Totó, mas como ainda era muito novo para ser diretor ou algo assim, o mais próximo disso que conseguiu foi uma vaga de atendente na Blockbuster na esquina do prédio, e durante seis meses se apaixonou platonicamente por todas as meninas que levavam para casa os seus filmes prediletos [anos mais tarde, o gordo da oitava se tornaria um conhecido e ácido crítico de cinema, que julgava repulsivo o ato de comer pipoca num ambiente tão sagrado].
Curiosidades: durante a infância foi viciado em mini-chicletes Adams, aqueles que sumiram do mapa depois dos anos oitenta.
Uma vez, ao acompanhar os pais em uma entrevista no consulado americano, para obtenção de vistos para a primeira viagem à Disney, colou uma massaroca de chiclete debaixo daquela mesa de madeira escura, pernas bem torneadas e tampo de mármore, e a partir de então, durante muitos anos se divertiu colando bolas de chiclete debaixo de mesas chiques como aquela.
Nunca se conformou que a Vovó Mafalda era na verdade um Vovô.
No dia em que completou um ano de carteira de habilitação, quase atropelou Daniela Cicarelli numa esquina do Baixo Leblon.
Escreveu um ensaio chamado A Aurora Boreal, numa velha Remington abandonada na área de serviço, que foi publicado num caderno especializado naquilo em que ele se tornou especialista (não me pergunte agora, que o nome é comprido).
O apelido o seguiu pela vida afora, mas o gordo da oitava já não era mais gordo há muito tempo, aliás, desde a quinta série não era gordo.
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posted by Dedê Ranieri @ 12:47 AM

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Terça-feira, Novembro 18, 2008
Oficina Manuel Filho A verdadeira versão dos 3 porquinhos, sem cortes (apenas queimaduras) Em toda minha experiência de vida, tenho como poucas as verdades verdadeiramente definitivas e absolutas. Uma delas é a estatística do SEBRAE. Ela assegura que 50% dos pequenos e médios novos empreendimentos não completam dois anos de vida, fecham as portas antes. Não é pra menos! Veja você a minha situação. Mal abri meu novo negócio, cheio de pompa e circunstância, com coquetel de inauguração e tudo, chegaram os primeiros clientes. Fiquei numa euforia só, faria minha primeira venda, a primeira nota fiscal emitida pela Lobão, Tudo Para Sua Construção!. Enchi um caminhão e lá fui fazer a entrega: palha, madeira, tijolo, 73 pregos e muita transpiração. De tão eufórico que estava, esqueci de um detalhe que não pode nunca ser esquecido por um comerciante bom: consultar o SPC e o SERASA. Mas eu nem cadastrado na Associação Comercial era, quis fazer dinheiro logo e no fim fiquei na mão. Os três porcos que compraram na Lobão não tinham a menor condição (financeira). Deram cheques pré-datados que bateram e voltaram, sem fundos, o que chamam por aí de cheque avião, voador, sei lá. Só sei que quando, furioso, fui tomar satisfação, os três, que por sinal eram irmãos, me armaram uma arapuca tal que acabei dentro de um caldeirão. E o que é pior, fervendo! Não bastasse os calhordas me deixarem nessa condição, todo queimado e devendo horrores do empréstimo pro BNDES, não pago INSS, e ainda tenho que aguentar certos boatos que circulam por aí, de que eu é que sou o MAU da história.
posted by Dedê Ranieri @ 4:15 PM

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 Fase infanto-juvenil. Acabou-se o que era doce. A oficina de contos infanto-juvenis conduzida pelo escritor são-bernardense Manuel Filho, nos últimos três meses, foi tão deliciosa que terminou com gostinho de quero mais. Nem sei o que vou fazer na próxima quarta-feira à noite. Acho que vou me vestir de preto e guardar luto. Ou não. De preto eu ia sempre e me divertia horrores, definitivamente não simbolizaria nem tristeza, nem saudade. Acho que vou mesmo é ficar curtindo a lembrança das intrépidas figuras que conheci por lá. Grupo mais heterogêneo impossível, numa sintonia total. Alguns deles, tenho quase certeza, foram contratados para animar os encontros, só pode! Veja o caso da irmã Dulce: uma freira de vinte e poucos anos, que estava mais para noviça rebelde que arrepiava nos comentários críticos dos textos da moçada, do que para o estereótipo da doce irmã Dulce da Bahia. E aquele outro que na primeira aula, no momento das tradicionais apresentações, bradou com um puxado sotaque nordestino: "Meu nome é fulano e sou marxista!". Tive vontade de seguir a linha de apresentação dele: "Meu nome é Denise e detesto cheiro de pinho-sol!" mas já tinha passado a minha vez. Ele nunca mais apareceu no curso, mas me lembro até hoje, por isso de agora em diante, quando eu quiser ter uma presença, digamos assim, mais marcante, vou me apresentar como Denise-Marxista, ou De-Extrema-Direita, ou Devoradora-de-Quiches-de-Alho-Poró, sei lá! Só sei que no meio do curso entrou gente, saiu gente, gente achou que não sabia escrever, gente descobriu que sabia escrever, gente quase chorou, gente gargalhou muito, gente teve vontade de bater palmas, gente sofreu para tirar umas (boas) idéias do sótão, gente teve que ir embora mais cedo, gente encontrou livro que marcou a infância nas prateleiras, gente descobriu que não precisava ser assim tão exigente, gente lembrou que a série vagalume marcou a vida de muita gente, gente descobriu que tinha mais gente compartilhando o amor pela leitura, e que gente assim, invariavelmente, é boa gente, gente que ganhou o prêmio Jabuti (opa, esse foi pra diretoria, e toda gente vibrou!), gente que não conseguiu chegar em dia de chuva, gente com tatuagem no corpo e umas idéias bem legais tatuadas na cabeça, gente que era mãe e filho mas guardava segredo, gente que era mãe e filha e contou desde o começo (só não contou que a mãe era fada e conversava com insetos e plantas, isso a gente descobriu depois), gente que era engenheiro e foi lá para não perder as idéias abstratas no fundo da gaveta, gente que foi professora, gente que ainda é, gente que escreve e esconde os escritos e só confessa no final porque tem gente que pergunta (gente indiscreta)... toda essa gente eu espero logo encontrar por aí!
posted by Dedê Ranieri @ 2:46 AM

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Terça-feira, Outubro 28, 2008
Eu gosto assim, que graça tem aquelas magrelas? - ele disse, maliciosamente, no meio de um amasso no sofá. Um soco no olho seria pouco, pensou ela, enquanto tentava elaborar a colocação, ofendida. Uma joelhada lá. Não!, nada anularia o efeito daquela frase. Ele jurava que era elogio, paixão pura. Ela tinha certeza de que era uma gracinha para desestabilizar, devia ser um toque para manerar no queijo e vinho, afinal, que mulher aceitaria como elogio ser chamada de gordinha? Ele só conseguiu se explicar graças ao argumento de um outro da mesma espécie: Acha que eu estou mentindo? Clica no link do cara!... Bom, ela clicou no link do cara, e ele falava tudo o que ela queria ouvir. Inclusive mandou dizer: Tks, cara! Que graça tem mesmo aquelas magrelas?
posted by Dedê Ranieri @ 6:22 PM

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Quinta-feira, Outubro 16, 2008
Em tudo a outra copiava.
Num dia era o corte de cabelo que pedia igual. No outro a roupa, os sapatos. Até lentes de contato com cor juntou dinheiro para comprar, queria mesmo era ficar a cara da outra, e isso incluía os olhos. Sonhava com o dia em que alguém comentaria: são irmãs? siamesas?univitelinas decerto! A outra fingia não perceber, para não constranger aquela que queria ser a outra. No começo achou até graça. Uma fã. Era isso. Tinha uma fã. E quanto mais copiada, mais vaidosa ficava. Um dia as duas estavam na lanchonete quando a outra pediu um suco, que veio com um mosquitinho boiando. Diante do comentário "tem um mosquito boiando no meu suco", a que queria ser a outra espichou a cabeça e o dedo para o garçom, e com naturalidade registrou seu pedido: "pra mim igual, e não esqueça da mosquinha ...". A outra saiu de fininho e nunca mais atendeu telefonema, email, postal, pombo-correio. Quer dizer, das poucas tentativas que a que pensava ser a outra fez. Afinal, dizem por aí à boca pequena, que a que pensava ser a outra, agora tem certeza de que é, por isso não sentiu falta nenhuma. Da outra.
posted by Dedê Ranieri @ 12:08 AM

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Terça-feira, Outubro 07, 2008
Diálogo Macabéico - Delícia de parmesão. Essas lasquinhas... - Meu tio Woerte prefere em cubinhos.
posted by Dedê Ranieri @ 2:45 AM

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Quinta-feira, Outubro 02, 2008
A nostálgica Sou uma verdadeira afronta à arte milenar do feng-shui. Adoro guardar um bagulhinho. Mesmo sabendo que nunca vou usá-lo, ou no caso de precisar, que não vou encontrá-lo. Mas a questão é o apego. Ele até me presenteou com um livro do movimento Hare Krishna, para ver se me livra desse mal. Até agora o máximo que consegui, em termos de resultado, foi me desfazer, digamos, de dois ou três encartes de jornal que deram no semáforo. Ce la vie.
posted by Dedê Ranieri @ 1:02 AM

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Terça-feira, Setembro 23, 2008
(( Numa quinta à noite, sem mais nem porquês, eles [1] me surpreenderam com a notícia: Você é uma mundana! Assim mesmo, à queima-roupa. Não que eu já não desconfiasse. Ao contrário. Sempre disseram que eu tinha alguma coisa assim, digamos, diferente, até Dona Olga, minha mãe. Mas saber que aquilo não era doença grave ou sem cura, me deixou bem aliviada. Existia um nome. E existiam outros. Muitos outros. Espalhados aí pelo mundo. E alguém teve a brilhante idéia de reunir essa gente. E entre eles eu passei a me sentir em casa. É aqui que eles se encontram: MundoMundano, "o mais sonhado e distinto portal dos últimos tempos"! )) [1] Fábio Iwai e Camila Briganti, Os caras!
Das desgraças que Dercy não viveu ou Sobre bombons de licor, listerine e tabaco (publicado na MundoMundano, 18/09/2008) Definitivamente estão empenhados em acabar com o discreto charme da boemia, a confraternização entre amigos nos botecos (pés-sujos ou não), e até mesmo com aquele clima que favorece o início de novos relacionamentos amorosos. É o fim dos tempos! E isso não é uma epifania. Aos fatos. Primeiro veio a implacável Lei Seca, acompanhada de uma relevante discussão sobre bombons de licor e Listerine. Agora o Mr. Serra Montgomery Burns acaba de canetar o projeto de lei que proíbe fumar em ambientes coletivos, públicos ou privados. Sem chorumelas, vem multa pesada para aqueles que descumprirem a lei, caso entre em vigor. Os politicamente corretos que me desculpem, mas reconhecer que esse mundo está virando uma chatice é fundamental. E olha que eu nem fumo! Dentro da minha cabecinha loira, algumas poucas sinapses me permitem visualizar uma equação bem simples: menos bebida e cigarro, mais receitinhas tarja preta. Porque sentar num bar com os amigos, ou com aquela sua companhia predileta cheia de intenções, e não poder beber ou fumar, ou os dois, só pode deixar o cabra deprimido. Ok, no que se refere à bebida, ninguém é proibido de beber nos bares (alguém levantará a lebre), mas sim de dirigir bêbado - leia-se, com o teor alcoólico acima do permitido, como se algum teor permitido fosse -, mas cá entre nós, que graça tem um bebendo e o outro olhando? Porque alguém tem que dirigir de volta para casa e esse papo de táxi não rola. Imagine pegar um táxi todo final de semana: ABC – Vila Madá – ABC? Mais fácil guardar o dinheiro e comprar o próprio táxi! Na verdade, sem querer parecer egoísta, mas inevitavelmente sendo, no início não fiquei tão incomodada com a restrição no que toca às bebidas, afinal, do meu extenso grupo de amigos chegados na birita, tem o bom e velho mundano Gravata que não bebia (sim, no pretérito), e a Daniela que só pede um martinizinho por noite, para comer a azeitona. Não sei o que aconteceu, o mundano Gravata passou a beber assim, de repente – na verdade, ele sempre foi do contra e com sua excelente percepção extra-sensorial deve ter sacado que era melhor se safar do que estaria por vir –, e a Daniela, quando convocada para a honrosa tarefa de assumir a direção do veículo e de nossas vidas, revelou que apesar de habilitada, tem pavor de dirigir e só de chegar perto de um volante fecha os olhos, síndrome do pânico, sei lá! Ou seja, estaca zero. Hoje só me resta o romantismo das lembranças de uma belle époque não tão distante. Lembro-me do tempo em que encontrava os mundanos Iwai e Briganti num pé-sujo, e depois de contribuir responsavelmente para estimular o comércio de bebidas local, bem como a geração de empregos com direito a muito adicional noturno, rumávamos para uma padaria qualquer, de preferência a da esquina, e tomávamos garrafas e garrafas de Norteñas até o sol raiar ou o dono da padaria explicar que a nossa bebedeira era incompatível com as senhoras de família chegando para buscar o pão das 7h. Do tempo em que sobre nossas cabeças pairavam nuvens de fumaça de cigarro e à nossa frente fileiras de garrafas batiam continência, disciplinadas. Ali não éramos nós, éramos Noel Rosa, Vinícius, Tom Jobim e qualquer outro drunk da turma da bossa. Sobre nossas cabeças, disputando lugar com a fumaça cinzenta, idéias originais e brilhantes, que só tem espaço para nascer numa mesa de bar, alimentada pelo consumo de álcool, pelo fumo, e claro, muita leitura dos beatniks.
posted by Dedê Ranieri @ 2:24 AM

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Sexta-feira, Agosto 29, 2008
Um analfabeto muito esperto Ana Luísa tem sete anos. Gian Lucca, quatro. Ana já sabe ler. Gian ainda é analfabeto. A menina, que está irritada com o irmão mais novo, não vacila, saca um papel, uma caneta, e maliciosamente rabisca um bilhete para ele: Você é um chato (com exclamação e tudo!). E assina, Ana Luísa. O menino recebe o primeiro bilhete de sua vida com ar desconfiado, pede à avó que o leia. A avó comunica à dupla de irmãos que vai ler o conteúdo na íntegra, duela a quien duela, e assim o faz. Gian Lucca fica visivelmente transtornado, não se sabe se pelas poucas palavras da irmã, ou pela humilhação de não saber ler ou responder de igual. Mas o menino não se deixa abater. Após alguns segundos sentado no sofá, na mais autêntica posição O Pensador de Rodin, arranca um papel sulfite da impressora do avô, separa uns lápis de cores, e rabisca sem parar um desenho com muita força na mão, algo assim, digamos, abstrato. Acrescenta umas letras soltas e desajeitadas pela folha, não formam palavra alguma em qualquer dos idiomas no mundo catalogados. Pede à avó que escreva seu nome no rodapé, e com um sorriso plácido de satisfação entrega a resposta a uma intrigada Ana Luísa.
posted by Dedê Ranieri @ 12:38 AM

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Segunda-feira, Agosto 11, 2008
Eu nunca fui santa, por Odamar Versolatto. A tela é linda e tudo por lá é mais lindo ainda.
posted by Dedê Ranieri @ 4:21 PM

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Quarta-feira, Agosto 06, 2008
Peggy Sue e o soco no nariz do tubarão Seu nome, Peggy Sue. Era a caçula de quatro irmãos, todos iniciados com jota: Jacira, Jorge e Jussara. Seus pais, José e Jandira. Os avós maternos, João e Janete. Dos paternos nunca teve notícia, já que seu pai crescera num orfanato.
Quando pequena queria um nome que iniciasse com jota, por isso nas brincadeiras da escola fingia ser Júlia, Juliana ou Janice. Tinha fixação por palavras e coisas que começassem com a letrinha que não tinha em seu nome: jujubas, Júpiter, japoneses, jipes, jacarés...
A mãe de Peggy Sue morreu durante o seu parto. Diz-se que o nome da menina surgiu de improviso, enquanto o pai se dirigia ao cartório de registro e no rádio tocou a famosa canção do ex beatle.
Não era só o nome da menina que fugia à regra familiar. Peggy Sue desde pequena tinha algo que não se explicava ou adequava à idade. Parecia movida por uma vontade própria e fora de qualquer contexto, inspiração às coloridas personagens de Antonioni em Blow Up, caso tivesse nascido naquele tempo. Se o nome de batismo fosse Jade ou Jéssica, seria Peggy Sue normal como os irmãos? Perguntava-se o pai desolado, amargando sua culpa em silêncio.
Aos doze fumava na sacada ao som de Billie Holiday. Quando eu fechava a janela do quarto já tarde da noite, podia ouvir Peggy Sue cantarolar Please, Don't Talk About Me When I'm Gone, e pensava como uma garotinha como ela podia conhecer Billie Holiday. Tia Sueli diria que Peggy S. já nasceu um espírito velho. Eu diria que Peggy Sue não nasceu, foi fruto de uma alucinação coletiva.
Um dia foi sorteada para participar de um programa de auditório. Era a convidada mais jovem. Errou todas as resposta do quiz, o que lhe custou um prêmio milionário. Mas a menina não foi desclassificada por falta de conhecimento, e sim porque se encantou com um músico da orquestra, para quem, terminado o programa, cantou Billie Holiday com toda propriedade; diz-se que o homem pediu-lhe que cantasse ao apresentador do programa, e aos treze Peggy Sue acabou contratada como backing vocal do dominical de maior audiência na tevê.
Diz-se que enquanto as meninas do bairro se enamoravam dos rapazes por seus belos carros, ternos feitos sob medida com as iniciais gravadas e promissores negócios paternos, Peggy Sue se apaixonara pelo músico em função de uma dica que ele lhe dera no intervalo de gravação do programa: "se algum dia for atacada por um tubarão, salve-se acertando um soco bem no meio do nariz dele, mas tem de ser com força...".
A última vez em que a vi foi numa noite sem estrelas no céu. A menina dançava na sacada com seu par invisível, e cantava num tom acima do habitual. Algumas janelas se fechavam irritadas pelas mãos de mulheres a quem Peggy Sue lembrava como era bom ser livre e feliz. Os maridos não defendiam a liberdade da vizinha, de modo a agradar as esposas, mas espionavam Peggy Sue admirados enquanto suas mulheres tomavam banho, ou botavam as crianças para dormir.
No dia seguinte comentou-se na vizinhança que a menina cantara e dançara a noite toda na janela, de forma muito sensual, que só poderia estar sob efeito de algum cigarro proibido ou chá alucinógeno (quem sabe os dois?), ocasião em que a Presidente da Associação das Amigas da Moral e Bons Costumes Alheios do bairro convocou reunião extraordinária, de modo a tomar ostensivas providências em relação à presença de Peggy Sue na comunidade.
O fato é que a partir daquele dia, como que prevendo algum tipo de represália, a menina não foi mais vista pela redondeza, nem no dominical.
A vida dos moradores perdeu um pouco da graça depois da partida de Peggy Sue, mas mesmo distante suas histórias continuavam a correr o bairro. Ora diziam que estava em Baltimore, tocando com a Orquestra Sinfônica. Ora que ganhava a vida fazendo vitrine viva na Red Light. Até que pegara segundo lugar na 25ª Maratona de Paris comentou-se.
As notícias que chegavam de Peggy Sue alimentavam a alma dos moradores e a falta de novidade no bairro. Até que um dia chegou a nova. Peggy Sue estaria namorando um marinheiro norueguês de nome Jacob, e em suas aventuras errantes pelo sul da Austrália mergulhavam na península de Eyre, quando foram atacados por um tubarão.
Consta que o namorado morreu antes mesmo da primeira mordida, o pobre sofria de sopro cardíaco e não podia com susto; já Peggy Sue, bem, é o que dizem, armou seu melhor soco e enterrou uma de direita bem no meio do nariz do tubarão. Mas como eu já dizia lá em cima, Peggy Sue perdeu a mãe no parto, nunca teve a sustança provinda do alimento materno, o que fez com que o soco magrinho da menina provocasse apenas cócegas no implacável animal cheio de dentes. Peggy Sue morreu como uma heroína, é o que dizem, pois se ela morreu, quem haveria de contar essa história, o tubarão?
Ocorre que depois desta, nenhuma outra foi contada.
Nas noites de céu sem estrelas (e também nas estreladas), quando já é madrugada e me aproximo da rua para fechar a janela, posso jurar que escuto a voz quase infantil de Peggy Sue cantarolando Billie Holiday na sacada: Please, Don't Talk About Me When I'm Gone.
posted by Dedê Ranieri @ 2:33 AM

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Quinta-feira, Julho 31, 2008
A desbocada e o Lord - Amorê, a boca da Dercy não parece uma xoxota depois do parto? - Não sei, linda, nunca vi uma xoxota depois do parto... - O quê, nunca viu aquelas filmagens de parto? - Já! É que geralmente depois do parto eles seguem filmando a criança...
posted by Dedê Ranieri @ 3:45 AM

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Terça-feira, Julho 15, 2008
posted by Dedê Ranieri @ 6:14 PM

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Ele tem cara de bom moço, ar aristocrático e um sorriso mais indecifrável que o da Mona Lisa. Ele enlouquece as avós, mães e tias com seu estilo Maurício Loureiro Gama, o apresentador de telejornal mais galã que a tevê brasileira já viu. Ele só usa camisetas amarelas (quando veste outras cores é porque as amarelas estão pra lavar). Ele chegou pra desbancar Olivier Anquier, Jun Sakamoto e aquele outro japonês famoso que inventou o Pão com Bolinho. Ele nunca me levou ao cinema, mas me leva pra almoçar com o Padre Quevedo e jogar boomerang (não com o padre). Ele dá dicas preciosas e que podem salvar a minha vida, não sei como pude (sobre)viver até hoje sem saber como me livrar de um ataque de tubarão - "basta dar um soco no nariz dele" (ele diria no nariz, não nas guelras! como se eu soubesse o que são guelras). Ele me ensina sobre desvio padrão às quatro da manhã, com muito vinho na cabeça e sem perder a linha de raciocínio. Ele sabe o que é quiromancia, empirismo e páprica. Ele sabe cantar duas músicas do Roberto. Ele sabe mais da vida cotidiana dos Simpsons -e toda Springfield- que o Matt Groening. Ele dirige de um jeito esquisito, mas eu nunca comentei nada. Ele é o meu domingão de sol. Segunda, terça, quarta, quinta, sexta e sábado também.
posted by Dedê Ranieri @ 1:56 AM

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Sexta-feira, Julho 11, 2008
Você assiste ao telejornal. O âncora chama a matéria, entra o repórter e você pensa "Nossa, que novinho!". Podia muito bem ser aquele seu priminho, recém formado jornalista. Deve ter entrado cedo na faculdade, você continua pensando, até entrar a matéria e o repórter novinho entrevistar algum especialista novinho. Agora virou idéia fixa, você não consegue parar de pensar que tem novinho pra todo lado, não é possível um menino daquele ser PhD em negócios e finanças internacionais, professor de MBA do Ibmec, o caralho a quatro. Não. Definivamente erraram na legenda. Os caras vivem errando na legenda. Mas a matéria acaba e você continua com aquela sensação de que tem algo errado acontecendo com o mundo.
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Depois da sensação de que algo errado acontece com o mundo, vem a certeza. Passemos aos fatos. A sua cunhadinha predileta (no caso, a minha) completou vinte anos no último dia nove, e se minha HP não falha (nunca falha), ela nasceu em 1988, junto com a Constituição Federal e uns meses depois da comemoração do meu aniversário de onze. Pior. Enquanto eu integrava o movimento dos caras-pintadas (1992), e cometia a maior transgressão da minha vida (caminhar a pé da Metodista até o Paço Municipal de S.B.C), ela estava na janela do apartamento vendo o movimento passar, detalhe: tomando mamadeira no colo da mãe dela! Kid Salmonella, caso eu consiga superar esse desaforo, estarei presente na sua comemoração amanhã, happy birthday again!
posted by Dedê Ranieri @ 4:03 PM

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Quinta-feira, Julho 10, 2008
Tio Nivaldo non sense Pagar mico não é prerrogativa minha. Ser distraída também não. Quem conhece o meu tio Nivaldo sabe do que estou falando. Aliás, tio Nivaldo ajuda a explicar muito das minhas origens.
Irmão mais velho do meu pai, tio Nivaldo mora no interior de São Paulo, é o baiano tipo gente boa (pleonasmo?), sempre disposto a ajudar as pessoas, seja com uma palavra seja colocando a mão na massa mesmo. Mas como já dizia minha falecida avó, que de boas intenções o inferno está cheio, tio Nivaldo certamente tem grandes chances de já ter seu puxadinho reservado lá embaixo com aquele que me recuso a dizer o nome (cruzcredo!), tudo fruto de suas boas intenções. Veja você. Certa vez, quando eu ainda era criança, o vizinho do meu tio cometeu suicídio. Uma notícia trágica, mais ainda porque o vizinho tinha uma filha quase da minha idade, brincávamos juntas nas férias, o que na época me deixou ainda mais impressionada. Logo que o incidente foi confirmado, apresentou-se um impasse na vizinhança: quem buscaria a menina na escola e contaria o motivo da saída repentina no meio da aula? No corre-corre, meu tio Nivaldo apressou-se em ajudar, ficando decidido que ele buscaria a garota, mas não daria a triste notícia, isso ficaria a cargo da família. Meus primos, que conhecem muito bem meu tio Nivaldo, desde que nasceram, não cansavam de recomendar ao pai que era apenas para buscar a menina, sem adiantar nada sobre o ocorrido. Repetiram muitas vezes, ao ponto de meu tio Nivaldo ficar irritado, perguntando, inclusive, se pensavam que ele era bobo. Foi-se então meu tio, incumbido da tarefa de buscar a filha do vizinho morto. No caminho, desconfiada, a garota perguntava o motivo daquela situação que nunca se dera antes. Mas meu tio contornava bem o assunto, dando respostas evasivas. Quando chegaram em frente à casa de luto, meu tio Nivaldo, que cumprira sua missão de forma brilhante até aquele momento, ao despedir-se da menina exorbitou de sua função e disparou: "Meire, quantos anos seu pai tinha mesmo?".
posted by Dedê Ranieri @ 10:52 PM

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Terça-feira, Julho 08, 2008
Hay que endurecer Tarcísio escolheu o quarto e pendurou a moldura na parede ao lado da porta de entrada.
Era uma imagem de Che Guevara, aquela clássica com a boina e a célebre frase riscando a foto: Hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás.
Ela tinha que admitir, ele tinha método. Eram amantes desde 1991, e por mais que Tarcísio mudasse o local dos encontros, lá se ia o quadro do guerrilheiro atrás, como se fora parte inseparável dele.
Lúcia não aguentava mais olhar para aquela imagem. Não pela presença constante do contemplativo Che nos seus momentos de intimidade, mas por ter para si que aquilo não possuía significado algum para Tarcísio.
Nunca fora revolucionário. Ao contrário. Passivo lhe cairia muito bem de sobrenome. Tampouco fazia o tipo burguês que se orgulha em abraçar alguma causa social, a fim de eximir-se da velha culpa cristã.
Não eram poucas as vezes em que Lúcia perdia a vontade de cumprir suas obrigações extra-matrimoniais com Tarcísio. Era abrir os olhos e deparar com o guerrilheiro La Serna à sua frente, a boina esgarçada, a frase já batida pelo uso popular, que perdia toda a concentração indispensável para o momento.
Não pensava dessas coisas que dizem pensar as mulheres quando perdem a vontade em seu homem - pintura descascando no teto, por exemplo. Pensava assuntos que a faziam não apenas desviar a atenção do ato, como sentir raiva. De si própria. De Tarcísio. E principalmente do velho comunista na parede. Aonde ele estaria caso vivesse hoje? Que cargo ocuparia em algum governo? Teria seu nome envolvido em escândalos? Desfrutaria de honrarias concedidas, indistintamente, a idealistas e arruaceiros? Defenderia os atos de violência de guerrilhas armadas revolucionárias? Por certo...
Tudo isso Lúcia se perguntava enquanto suportava o peso de Tarcísio naquele ritmo cada vez mais frenético. Ao contrário do que reclamavam as amigas, que com o tempo o homem perde o interesse, com Tarcísio ocorria o inverso. Há anos parecia ter adquirido o vigor de um garoto recém chegado à puberdade.
Já admitira a si própria que não aguentava mais aquela situação. Ensaiava a forma de dizer isso a ele. Na hora H desistia e cedia ao seu desejo que só aumentava a cada dia. Estaria sua esposa desconfiada e se negando a cumprir as funções do matrimônio? Alguma razão teria para Tarcísio vir cada vez mais sedento de amor.
No começo se divertia, agora não suportava a idéia de ter que se submeter àquele homem que queria aproveitar cada minuto do tempo que tinham juntos de maneira tão mecânica, sob o olhar malicioso de um comuna que só não se deixara corromper porque morreu antes de reconhecer que os ideais sucumbem, invariavelmente, diante de uma boa proposta.
Depois imaginava o que seria de Tarcísio sem ela. O costume dos anos. Ele à mercê da esposa sempre doente, torcendo o nariz para algum carinho mais íntimo. Dos filhos que nem ligavam mais para ele. Preferia que viesse vê-la apenas para conversar, abrir um bom vinho na sacada, falar sobre filmes. Mas não conseguia dizer.
Foi então que um dia chegou antes ao quarto da pensão, decidida.
Contaria que sua presença ali nos últimos anos tornara-se mais um hábito que um desejo de aventura, como no passado. Procurou na gaveta papel e caneta para organizar as idéias do discurso. Seria objetivo, racional. Não queria uma cena de novela mexicana.
Ao remexer a gaveta encontrou o que não procurava. Corou as bochechas, o coração quase explodindo. Repassou mentalmente, em segundos, os últimos anos. A freqüência maior com que ele vinha visitá-la. Os encontros que se limitavam ao quarto, há quanto tempo, meu Deus? Lúcia mudou os planos.
Sacou da bolsa um batom vermelho e na ponta dos pés alcançou o retrato do velho companheiro de aventuras amorosas. Ninguém melhor do que ele para transmitir o recado a Tarcísio, pensou, aproveitando para sobrescrever na célebre frase, que enfim ganhara alguma utilidade: Hay que endurecer, pero sin tomar essas malditas pílulas azuis!
Era o motivo que precisava. Bateu a porta aliviada e partiu.
posted by Dedê Ranieri @ 3:09 PM

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Terça-feira, Abril 29, 2008
Minha irmã pra pequena Bibi:
- Filha, presta atenção! Este é o caminho que você vai ensinar pra vovó amanhã.
- Mãe, eu vim aqui ontem, lembra? E hoje de novo. Por acaso você pensa que eu tenho perda de memória recente?
... (tô de cara!)
posted by Dedê Ranieri @ 12:39 PM

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Sábado, Abril 26, 2008
Se o amor é uma flor roxa, flor amarela é o quê?
Pensei nisso outro dia, segunda pela manhã, depois do feriado pascoalino. Quando eu era criança minha mãe recitava esse versinho, que o amor é uma flor roxa que nasce no coração dos trouxas, e se na época eu achava graça, hoje penso que minha mãe nunca deve ter acreditado muito no amor. Aonde já se viu falar coisa dessas pra criança? Daí que naquela segunda preguiçosa, como deve ser toda segunda, em especial a que sucede um feriado bem-sucedido, enquanto Maurice tomava banho, resolvi superar todos os meus limites humanos (e sobrehumanos também) e troquei aqueles deliciosos minutinhos a mais de sono que ele me concede enquanto se banha, por preparativos pra um café da manhã surpresa. A idéia original (leia-se, originalmente nascida nos rincões da madrugada, sessão de gala na Globo) seria acordá-lo com pães de queijo quentinhos, beijinhos, bebezinhos recheados, beijinhos, mas o sono. Ah, esse é meu inimigo desde pequena. Faz coisas horrorosas comigo, que nem conto. Nesse dia por exemplo, me fez desligar o despertador (quatro vezes) mediante violência contra o aparelho, logo eu, mais conhecida por aí como dedezinha-paz-e-amor. Quase entregue ao inimigo, lembrei das palavras do Bernardinho e decidi não jogar fora todo o planejado. Força de vontade. Determinação. Auto-controle. E o sono. Bernardinho me salva! Disciplina. Atitude. Superação de limites. Motivação. Motivação maior que Maurice pelado no andar de cima, esfregando com sabão os remelos naquela cara linda e amassada de sono? Sono, por qué no te callas?! Antes que Maurice pudesse sair do banho e desconfiar, pulei da cama, e dá-lhe azeitona na torrada, que sabor de suco meu Deus?, o lanche no forno, chuveiro desligando. Corri descalça mesmo até o jardim e ainda que sob risco de levar uma bronca daquelas, planejei arrancar umas flores pra enfeitar a bandeja (já disse que Maurice é ecologicamente corretíssimo?). Mas nem foi preciso. Uma meia dúzia de flores amarelas estava caída na grama, fresquinha de orvalho. Eu acharia bem piegas, e brega quem sabe?, falar em flores amarelas cobertas de orvalho pela manhã, mas cara, se você acha que o amor é uma flor roxa que nasce naquelas condições dantes mencionadas, é porque nunca viu uma flor amarela coberta de orvalho numa manhã preguiçosa de segunda, como aquela do dia em que Maurice esfregava os remelos com sabão.
posted by Dedê Ranieri @ 6:06 PM

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Segunda-feira, Fevereiro 11, 2008
No ano em você nasceu, comemorei meu aniversário de quatro anos com um vestidinho verde água e meu restrito grupo de amigos. O que eu fazia no dia em que você nasceu, eis um grande mistério. Brincava com massinha de modelar? Aquaplay? De pega varetas? Talvez no exato momento em que você nasceu, eu estivesse lambuzando meu Diplink no pozinho ardido, ou engasgada com uma bala soft. Eis o grande mistério. De outras coisas tenho registro (santa wikipedia!). Enquanto eu comia (quem sabe) minha paçoquinha Amor, ou irritava minha irmã mais velha apertando a barriga do Murfy, e enquanto você nascia, Regan se tornava presidente no lugar de Jimmy Carter. Acontecia o famoso atentado do Riocentro. O Silvio Santos entrava no ar com o Sistema Brasileiro de Televisão. E, se é que te interessa, Antígua e Barbuda se tornavam independentes do Reino Unido. No ano em que você nasceu, nascia a MTV norte-americana, o Nélson Piquet ganhava seu primeiro campeonato de Fórmula 1, e Rondônia deixava de ser território para virar estado brasileiro. Se te interessa, o Veríssimo publicava O Analista de Bagé, Truffaut filmava A Mulher do Lado, e algum gênio acabava de inventar o Post-it. Enquanto no Brasil você nascia, nos Estados Unidos nasciam Britney Spears e Paris Hilton (BraZil Zil Zil Zil!). Na Espanha, Fernando Alonso. Na Coréia do Sul, Park Ji-Sung. E na Rússia, Anna Kournikova. Enquanto você nascia morriam Lacan, Bob Marley, Mazzaropi e Glauber Rocha, podendo ser você, apenas, a reencarnação do ídolo do reggae, uma vez que foi o único a se finar antes de vinte e sete de maio do seu ano. No ano em que você nasceu, eu devo ter visto uma estrela cadente, um girassol nascendo em alguma janela, ganhado polainas novas (Eis o grande mistério).
posted by Dedê Ranieri @ 1:12 PM

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Quarta-feira, Janeiro 30, 2008
Na pista com Vanessa da Mata, Ben Harper e John Mayer
A programação indicava o aniversário de um amigo na Vila, mas o carro seguiu pra um Hotel. O luminoso indicava um Hotel à moda de Hitchcock, mas era uma balada no Itaim. A noite prometia um som qualquer coisa que não o festival de hip-hop, black music e funk que rolou por lá. A amiga da amiga de alguém prometia que mulher era vip, e homem oitenta. O namorado da amiga da amiga confundiu você com um cantor pop-rock americano na pista, e estendeu o amistoso copo de whisky. Vai aí, John Mayer?! Eu confundi você com um amigo de um amigo japonês, pra quem tinha dado uma inocente carona. Mas daí entre uma dose e outra. Mas daí entre uma Vanessa da Mata e um Ben Harper cantando "... there is a disconnection / see through this point of view / there are so many special people in the world sooooooooo many special people in the world ...". Daí no meio de tanta gente boring, tantos desencontros e fumaça de cigarro. Daí você me olhando. Daí eu a little shy. Just a little bit shy. Daí o gloss que eu passei atrás da sua orelha no caminho de volta. Daí o beijo que a gente não deu (não naquele dia). Daí que só depois eu entendi o recadinho da Vanessa da Mata e Ben Harper (Good Luck!) na pista: "há um desencontro / veja por esse ponto / há tantas pessoas especiais". Daí a música que acabou sendo nossa. Daí a little bit in love ...
posted by Dedê Ranieri @ 12:39 AM

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Quarta-feira, Janeiro 23, 2008
((Tu me acostumbraste a todas esas cosas y tu me enseñaste que son maravillosas sutil llegaste a mi como una tentación ...))
posted by Dedê Ranieri @ 6:02 PM

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Terça-feira, Janeiro 15, 2008
O dia em que quase morri ao som de Santana Domingo de chuva, nas curvas da Raposo. Maurice me traz de volta da montanha pro almoço em família. (Maurice me leva cada vez mais pra perto do céu. Leva, mas sempre traz de volta quando a segunda vem chegando, como quem diz: 'não se pode viver sempre nas nuvens, lindona!'). Tenho vontade de abraçar forte o menino lindo que me faz tão feliz num dia de domingo chuvoso e nublado. Falar que o tempero de orégano e azeite no nozinho de queijo caseiro é o mais saboroso que já experimentei na vida, falar dessas coisas da cozinha de Maurice. Das suas pitadas exatas de sacadas brilhantes e tal. Mas ele dirige concentrado na pista molhada. Me contento em apertar sua perna com força. Maurice sorri um sorriso somewhere over the rainbow, até esqueço que é um domingo cinzento. No cd player, Santana. Coloco as minhas prediletas pra Maurice escutar (fase de descobrir o paladar acústico, that's my turn). Put Your Lights On, El Farol, The Calling. Tocava The Calling quando Maurice derrapou na curva e o carro começou a rodar. Sensação estranha essa de perder o controle e esperar uma pancada forte vinda de qualquer lado. Poderia jurar que rodamos umas cinco vezes na pista, até parar no barranco. Maurice diz que não giramos, apenas fomos projetados com o carro desgovernado até o barranco. Os carros parados no acostamento pra prestar socorro. O silêncio ensurdecedor. Nem ouvia mais o som do Santana. Só queria ouvir a voz de Maurice, que pra minha alegria berrou um palavrão. Nenhum arranhão, sangue, nada. Só um pneu dianteiro estourado e o carro estacionado no barranco, pronto pra pegar de volta a estrada.
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Maurice, você me faz correr demais os riscos dessa highway. Deixa que da próxima eu dirijo, e te levo por curvas bem menos perigosas.
posted by Dedê Ranieri @ 1:45 AM

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Sexta-feira, Janeiro 11, 2008
Antes de dormir
Gabizinha vem aqui e traz uma vela. Gabizinha nem pergunta. Aparece com uma em cada mão. Gabizinha, você vai ouvir agora a melhor banda do mundo. Gabizinha sabe que a melhor banda do mundo é high school musical, mas não me contraria porque sou mais velha. Bibi, apaga a luz! Vamos acender as velas na sacada. Gabizinha resiste, tem medo que vou pregar um susto. Colocar a noiva de Chucky no dvd player, algo assim. Prometo que não te assusto. É outra coisa. Pra você conhecer a melhor banda do mundo em grande estilo. Tendeu? (Tranca a porta, senão a vovó briga que estamos mexendo com fósforos. Ela ainda briga. Bibi tem nove, eu tenho trinta. Não podemos brincar com fósforos ainda). Estendo uma canga. Jogo dois travesseiros. Play no Pink Floyd. Gabizinha já estirada na canga com os pezinhos apoiados na mureta. Corro e deito rápido no travesseiro que sobrou. Não quero perder nenhum acorde. Bibi, a melhor banda é essa. Agora fecha os olhos e só escuta (Dark Side of the Moon). Os olhos de Bibi brilham no escuro. Mais pela aventura dos fósforos, velas, canga e travesseiros no chão da sacada do quarto, que pela banda nova. Pezinho batendo na mureta. Instrumental. Instrumental. Instrumental. Quase três minutos. (Como é bom ser tia. Bibi nunca vai esquecer esse momento. Penso de olhos fechados). Três minutos e meio. Bibi me cutuca. Gabiii, tá de olho aberto? Era pra fechar e curtir o som. Mas Dê - já sentada na canga -, esse Pink Gloidi não vai cantar nunca? ... Agora Gabizinha tem a mais absoluta certeza, a melhor banda do mundo É high school musical. Não fala nada a respeito, mas sabe que leio seus pensamentos. Pra despistar e matar o tempo, pede pra brincar com os fósforos.
posted by Dedê Ranieri @ 12:48 AM

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Quinta-feira, Dezembro 27, 2007
Quando Maurice me olha com olhos pequenos
Eu não tinha percebido, até outro dia. Às vezes Maurice aparece me olhando com uns olhos pequenos. Não olhos de sono. Nem de miopia. Os olhos pequenos que eu vi num tigre siberiano outro dia no animal planet, antes de atacar um bicho menor presa fácil. Eu poderia jurar que às vezes Maurice aparece me olhando com aqueles olhos do felino da sibéria. Então fecho os meus e espero o ataque. Sou um bicho presa fácil de Maurice, à espera da pequena morte. La petite mort. Maurice's little eyes bring me the small death. Se os olhos são o espelho da alma, como já dizia o outro, tenho comigo que a alma de Maurice é cheia de malícia e segundas intenções. ...
posted by Dedê Ranieri @ 2:50 AM

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Terça-feira, Dezembro 04, 2007
eu quero beijos intermináveis até que os olhos mudem de cor.
posted by Dedê Ranieri @ 12:00 AM

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Sábado, Novembro 24, 2007
(Vai que é sua, Nihon!)
She hates la belle du jour Nihon em companhia da moça. Ela não era exatamente o tipo intelectual que o atraía, mas tinha outros atributos. Isso lá tinha. Pelo menos ela não lê Capricho como aquela outra, pensava resignado ante a idéia de que não dá pra ter tudo ao mesmo tempo. Talvez entre esse pensamento e o de pedir a ela que lhe trouxesse mais uma skol beats, ele tenha ouvido aquela boquinha agridoce disparar um inflamado: odeio essa mulher! Nihon correu acudir. A moça parecia mesmo indignada com uma revista nas mãos. Meu amor, minha flor, minha menina (talvez ele tenha dito), quem você odeia tanto? E ela apontou o dedo de francesinha impecável (ironia do destino) quase trêmulo, para Catherine Deneuve no alto da página. Nihon sentiu o coração quase partir ao meio. O que dizer a ela? Que a bela da tarde era uma das mulheres mais lindas e adoráveis que tivera notícia em toda sua existência? Que cada célula daquele corpo merecia veneração para todo o sempre amém? Não podia tomar partido, trair a sua amada. Nem uma, nem outra. Então desconversou, quis saber a razão de sua garota odiar tanto a musa de Buñuel. Enquanto a moça tomava fôlego, Nihon permaneceu na sua linha de pensamento não-se-pode-ter-tudo-ao-mesmo-tempo-obrigado-Senhor-pelo-que-tenho, e por um breve instante sentiu uma faísca de alegria. E quase como no jogo do contentamento de Pollyana, pensou no lado bom, que ela não era assim tão desprovida de conhecimentos gerais. Afinal, ainda que odiasse, sabia quem era Catherine Deneuve. Mas a alegria durou pouco, interrompida por aquele ódio que não tinha fim. Eu odeio essa mulher, dizia ela com o dedo amassando a foto da eterna belle du jour, essa ... a Rita Cadillac ... (sacrilégio, profanação!). Nihon não se lembra do que veio depois, súbita vertigem. Talvez ele tenha dito A caixa. A caixa toda de skolbeats, fazfavor.
E por falar em Buñuel
no segundo ano da faculdade eu conheci o Cadu. Calouro jeitão low profile, que de manhã estudava direito e à tarde história na USP. Os amigos em comum deram um jeito de acelerar a aproximação. Ele era a "minha cara", juravam. E eu pensava que raio de cara eu tinha pra ser a cara de um garoto que adorava rock pesado e usava uma pochete do tipo camuflada* (abafa!). Cheguei a ficar ofendida. Hard rock tudo bem, ainda que fosse de domínio público que eu era uma garota-suuuper-mpb, mas pochete já era demais. Daí me explicaram que não era ofensa, nem piada. Que apesar desses detalhes insólitos e da cabeleira à la Ricardinho Mansur (época em que não era nada cool ostentar uma cabeleira à la Ricardinho Mansur, diga-se), o Cadu era um cara incrível e tal. E AMAVA CINEMA. Esse era o grande ponto em comum. O CINEMA. Sei lá por que cargas me atribuíam um conhecimento da sétima arte que eu não tinha - e continuo não tendo até hoje. Acho que o fato de ir ao cinema toda semana aliado à minha tagarelice crônica deu origem a uma campanha tão enganosa, que a certa altura o Cadu já tinha certeza de que quando o Rubens Ewald Filho passasse dessa para melhor, eu seria a próxima comentarista do Oscar. E eu, ao invés de dizer simplesmente que meus amigos eram uns exagerados, que toda essa lenda surgiu a partir do dia em que fui a única a permanecer acordada até o fim de algum iraniano, não! Preferi manter a pose de sabichona. E a coisa foi ganhando uma proporção tal, que as abordagens do Cadu, invariavelmente, tinham o cinema como tema central. Logo, além das toneladas de códigos, tratados, constituição federal e afins que os professores despejavam semanalmente em nossas cabeças universitárias, passei a ter mais uma tarefa: saber tudo que se passava no mundo do cinema. A próxima estréia, o indicado ao Urso de Ouro, de Prata, de Bronze. E ainda formatar alguma opinião sobre o maldito movimento Dogma 95 que surgiu bem nessa época pra ajudar. Não bastasse a necessidade de atualização diária, me meti a zapear desde o mudo Chaplin até os principais diretores do movimento artístico francês nouvelle vague. Claro que não dava pra parecer entendida sem citar Truffaut Godard e cia (além do que não tem testosterona que resista a um n-o-u-v-e-l-l-e v-a-g-u-e dito assim baixinho, ao pé do ouvido). Eu estava fazendo a lição de casa direitinho, quase esquecendo o grau de superficialidade dos meus conhecimentos (hora em que a carne se trai). Até que um dia fui com o Cadu ao Espaço Unibanco e por lá a farsa teve fim. Na hora de escolher la película, perguntei o que ele achava do filme "Buñuel". Estava lá, escrito em letras garrafais: SESSÃO DAS DEZ: BUÑUEL. Ele me olhou confuso, e explicou que Buñuel não era um filme, mas um dos grandes cineastas espanhóis (como eu não sabia? não tinha visto a bela da tarde? o discreto charme da burguesia?!), que durante toda semana seriam exibidos filmes do Buñuel (daí o cartaz), que a turma da história da USP não perdia uma sessão de Buñuel etc etc. E dizia isso tudo pronunciando Buñuel de um jeito diferente do que eu tinha falado. Ou seja, do jeito certo. Era um momento de sublime desmoralização, daqueles em que você não sabe se pede um café com limão ou assovia New York New York em francês. Mas toda essa encenação não impediu que eu namorasse o Cadu durante os quatro anos de faculdade. Ao contrário. Sempre ríamos muito dessa história, e vez ou outra ele pedia pra relembrar do movimento n-o-u-v-e-l-l-e v-a-g-u-e no pé do ouvido.
* apenas a título de informação, somente no quinto mês de namoro consegui abolir a pochete do vestuário do rapaz.
posted by Dedê Ranieri @ 2:03 PM

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Terça-feira, Novembro 13, 2007
eu só quero lembrar de você até perder a memória. A. Carolina
posted by Dedê Ranieri @ 11:59 PM

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Segunda-feira, Outubro 29, 2007
Por dominar tantos assuntos me pareceu superficial.
posted by Dedê Ranieri @ 11:46 PM

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mondo bizarro
aprendemos a amar um argentino - si, nosotras y nosotros también! mas como um argentino que se preze, o hermano tinha que dar alguma mancada. depois que passamos a amá-lo com direito a processo de adoção e tudo, o Cabrón vai nos abandonar. volver para Argentina. acontece que com a inesperada notícia, decidimos improvisar uma despedida no dia em que toda turma iria se reunir na casa do russo Karpov, só esquecemos de um detalhe: avisar o argentino!
mondo bizarro 2
sábado à noite. sessão pipoca. eu e minha amiga Lady Dany às gargalhadas na sessão proibida para menores da locadora. yes, nós temos kid bengala!!!! enquanto isso ... numa prateleira não muito distante ... nosso querido Titi escolhe um título, e surge entre kids, éguas, e ritas cadillac, com uma comediazinha romântica: Terapia do Amor! bem que a minha mãe falou que esse mondo tá mesmo perdido ...
posted by Dedê Ranieri @ 11:15 PM

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Quinta-feira, Outubro 25, 2007
Ser brotinho não é viver em um píncaro azulado: é muito mais! Ser brotinho é sorrir bastante dos homens e rir interminavelmente das mulheres, rir como se o ridículo, visível ou invisível, provocasse uma tosse de riso irresistível. Ser brotinho é não usar pintura alguma, às vezes, e ficar de cara lambida, os cabelos desarrumados como se ventasse forte, o corpo todo apagado dentro de um vestido tão de propósito sem graça, mas lançando fogo pelos olhos. Ser brotinho é lançar fogo pelos olhos. (...) Ser Brotinho, Paulo Mendes Campos
posted by Dedê Ranieri @ 12:27 AM

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Terça-feira, Outubro 23, 2007
Te peguei no colo!
Sempre soube que mais dia menos dia eu seria a portadora desta frase infame. Só não pensei que seria tão cedo. Visitei a Laura, uma antiga vizinha que nasceu quando eu tinha uns sete anos. A Laura era a minha bonequinha. A Laura já tem dois bebês de verdade, sendo que o mais velho fala e tem um skate. Eles são bebês fofos demais. Mas depois de uma hora, comecei a ficar cansada por ela. Caramba, coisa meio estranha essa de não poder ficar à vontade pra fazer uma coisa tão comum quanto respirar, sentar pra bater papo. Laura corre atrás de criança, Laura troca fralda, Laura esquenta mamadeira, Laura toma cuidado pra não bater a cabeça na quina, Laura salva o abajur, Laura diz chiclete não pode. Eu quero afundar no sofá, empurrar pra debaixo da almofada meu pensamento simplista: o tablete de Trident foi super boa intenção, juro! Mas Laura não pára. Af! Daí a mãe dela entra em cena, pergunta dos meus, diz que tá na hora, que passou da hora, cadê os meus?! tom acusador. Meda. E eu penso nos meus. Projetos. Pós em marketing. Terminar documentário. Inscrever aquele curta em Cannes. Visitar meus primos em Amparo. Comprar apartamento em que caiba pelo menos oito (que vão levar as bebidas porque não vou ter mais um puto). Festinha de inauguração que vai render minha primeira multa. Trocar o carro por um 4x4, passar sem dó na estrada do Piavú. Tocar These Days no violão. E eu penso que ando viciada em Velvet Underground. E eu penso que o Caetano sabe bem o que eu penso. Não tenho inveja da maternidade nem da lactação. Não tenho inveja da adiposidade nem da menstruação. Só tenho inveja da longevidade e dos orgasmos múltiplos. Esse cara é um gênio! ps. eu amo crianças.
posted by Dedê Ranieri @ 12:11 AM

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Segunda-feira, Outubro 22, 2007
Sábio era o velho coronel baiano. Sempre deixou claro que não tinha medo de nada. Só de mulher!
posted by Dedê Ranieri @ 11:30 AM

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Segunda-feira, Outubro 15, 2007
Buongiorno! Camarada, viva a vida mais leve ...



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posted by Dedê Ranieri @ 12:36 AM

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Quinta-feira, Setembro 20, 2007
Sou apaixonada por um arabezinho chamado Khalil. Nossa diferença de idade não ultrapassa vinte e seis anos, mas ainda assim minha família anda preocupada.
Não é preconceito em virtude da idade ou animosidade religiosa, e sim porque toda vez que ele vem à minha casa quebra alguma coisa.
Da última quebrou algumas lâmpadas da garagem. Com apenas dois chutes na bola.
A mãe dele pediu desculpas à minha, que por sua vez mandou o esperado "Magina, não foi nada ...".
E eu só conseguia repetir:
"Deixa o Khalilzinho treinar, ele é tão fofo!"
Depois, numa festa de aniversário em casa, uma gang de crianças presentes pediu que eu contasse uma história de terror. No meio da encenação, bem na hora em que aparecia a original e temida mulher de branco, Khalilzinho abre o maior berreiro e corre para o colo de sua mãe.
A sessão foi suspensa, não pude terminar a minha obra. Os inconformados expectadores mirins gritavam pela continuação do teatro, enquanto acusavam o arabezinho de chorão.
Eu tentava acalmar o público, ao mesmo tempo em que consolava o pequeno:
"Deixa o Khalilzinho chorar, ele é tão sensível!"
Mas a última foi para arrebentar de vez meu coração.
Ontem Khalilzinho acordou gritando, chamou pela mãe e disse ter tido um sonho muito muito horrível. A mãe perguntou que sonho era esse que deixou o menino tão desesperado.
Responde o arabezinho: "Não sei, eu tava dormindo ...".
Ai, o Khalilzinho não é um lindo?
posted by Dedê Ranieri @ 1:19 AM

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No coffee-break. O puxador de assunto, sem assunto.
No coffee-break. O anti-social, servindo-se da lei do mínimo esforço.
- Cara, que tesão esta cidade. Como faz pra morar aqui? - Sei lá, eu não moro aqui!
posted by Dedê Ranieri @ 1:09 AM

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Quinta-feira, Setembro 13, 2007
Decifra-me ou devoro-te (por Simone K. Oliveira)
A primeira vez que devorei Luciano fazia uma tarde de sol. De repente caiu uma chuva grossa, dessas que doem na pele e não vimos o arco-íris porque a cortina da janela da sala estava fechada. Naquela época Luciano era só um menino franzino mas carregava na pélvis uma força motriz que me deixava os músculos doloridos e a virilha dormente. Muito tempo se passou desde a tarde do arco-íris e a noite em que ele viu passar um cometa no céu da minha boca. Nessa época eu morava em Belo Horizonte, trabalhava numa livraria e alimentava o sonho de ter a minha própria casa de chá-livraria-e-locadora. Eu estava agachada, atendendo um rapaz argentino quando senti que a loja estava tomada de um cheiro quente e levemente adocicado. Fechei os olhos e levantei-me suavemente, sem saber ao certo se queria ou não vê-lo do outro lado do balcão. Um par de olhos verdes, ancorados em grossas sobrancelhas e protegidos por lentes de resina provocou um buraco negro no meu peito e todo meu ar faltou. Meu corpo encolheu e meu esqueleto delgado era a única coisa concreta na qual eu podia me apoiar. O mundo todo se dissolveu, exceto o homem a minha frente e o volume 4 das obras completas do Borges que estava na minha mão. O rapaz argentino sussurrou palavras incompreensíveis e girou nos calcanhares em direção à porta que segundos depois fechou-se num estrondo. Nesse instante o telefone tocou e o homem de olhos verdes começou a esvaecer até que sumiu, por inteiro, enquanto eu repetia numa espécie de dialeto, o nome da loja para alguém do outro lado da linha. Quando abri os olhos, Luciano era um único e largo sorriso. Nunca sabia ao certo o que se passava comigo durante os intermináveis segundos que ficávamos nos olhando, sem dizer uma única palavra. Somente depois que ele sorria, eu me lembrava que era eu e não ele, a esfinge. E retomava o controle da situação. Ele estava ali para me convidar para um café e como eu sabia que ele adorava croissants, deixei a mesa posta quando saí de casa e foi depois que ele comeu o último pedaço que eu comecei a devorá-lo de novo. Meu menino era fotógrafo e tinha os olhos mais sensíveis que eu já conheci. Foi por isso que ele viu o cometa, mesmo comigo tentando escondê-lo com miolo de pão e leite desnatado. Mais tarde ele me diria que seria lindo se eu tivesse deixado que ele visse também a Pampulha que refletia na minha língua. Cada vez que dormíamos juntos um leve tremor percorria a casa, a rua, o bairro e um perfume seco, de madeira, penetrava nos narinas de BH. Luciano abria meus braços e pernas e se enroscava em meu corpo como uma planta rasteira e nós podíamos permanecer assim durante horas a fio. E eu permitia tudo. Nunca lhe neguei um único suspiro ou uma gota de suor. Cada fibra do meu corpo pertencia aos seus desejos. Pelo menos, até o momento em que eu sentia fome. Porque daí em diante, era eu quem controlava a situação. Cada vez que eu o devorava, escolhia uma parte do seu corpo. Quando ele saiu do meu apartamento, estava sem a outra orelha. Ele havia deixado seu cabelo crescer para disfarçar a falta da primeira. Eu fiquei com pena e não quis retirar uma parte do corpo que lhe causasse algum transtorno. Por isso escolhi a orelha irmã. Vivemos assim durante meses. Ele entrava na loja e eu sentia seu cheiro de incenso. Os clientes saíam e nós em seguida. Íamos a algum lugar para comer e mais tarde eu o devorava no meu apartamento. Depois que sorvi-lhe as pernas ele morou duas semanas comigo. Nunca tive coragem de devorar seus olhos. Meu menino tinha os olhos mais sensíveis que já conheci. Guardei-os em globos de vidro e fiz dois pesos de papel. E quando sinto saudades dele, abro a boca e deixo que os glóbulos verdes viagem seguros no cometa que passa no céu da minha boca.
posted by Dedê Ranieri @ 12:38 AM

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Domingo, Agosto 12, 2007
Poema de Bibi, minha ídala!
"car car car ambolas
ou será car neiro?
não não não é car los o meu pai
ouu esqueci de uma palavra josé o nome dele é josé carlos."
posted by Dedê Ranieri @ 3:56 AM

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Segunda-feira, Agosto 06, 2007
Quando a irmã viajou às pressas, não pôde ir junto. Alguém precisava cuidar da casa e das crianças. Não estranhou que ficasse, tampouco desgostou. Não daquela vez. Na primeira noite, enquanto retirava a mesa, sentiu o olhar fixo às costas. Quando virou-se com os pratos, os olhos dele já não estavam lá, colados na cara avermelhada. Buracos ocos. Tinham grudado na nuca. A partir de então, sem que soubesse, seus olhos passaram a lhe pertencer. Aonde quer que fosse, nunca mais teria um só momento para si, quiçá um segredo. Mas, sentia-se à vontade como nunca se sentira antes, nem ali nem em lugar algum. Arriscaria dizer que dos olhos já não mais sentia medo, se assim soubesse dizer. No dia em que a irmã telefonou com a notícia de que ficaria mais alguns dias, que a saúde da mãe ainda inspirava cuidados, sentiu certo alívio, mas fingiu um quê de desespero. Botou a mão na testa e se contorceu no móvel, mesmo diante da sala vazia para a encenação. Naquela noite ele foi até seu quarto. Empurrou a porta com o pé e ficou parado em posição de sentinela em frente à cama, sem dizer palavra. Depois agachou-se ao lado do criado-mudo, e o movimento fez com que as articulações dos joelhos ressoassem no quarto em silêncio. Na cama o corpo fingiu sobressalto, resmungou qualquer coisa numa voz pastosa e esfregou os olhos com as duas mãos: - "Que foi?" - "Viu meus óculos?" - Junto com a frase o hálito de cachaça ou cerveja que só aparecia aos sábados, mas ainda era quarta-feira. Sentiu que era prenúncio de que algo estava por acontecer. Prenúncio, caso assim soubesse dizer. Não respondeu à pergunta, nem esboçou qualquer reação quando ele procurou espaço na caminha de solteiro. Deixou que liberasse quase todo peso do corpo em cima do seu. Os pêlos do tornozelo dele grudaram na colcha de chenile, que sacudida rolou para o chão. Como em toda sua vida, resignou-se. Mas pela primeira vez de um jeito que parecia ser bom. Já tinha feito aquilo antes, muitas vezes. Longe daqueles olhos que lhe metiam pavor. Contudo, naquela noite arriscaria dizer que não só dos olhos, mas dele todo já não sentia medo. Pela primeira vez sentiu um arrepio bom percorrer o corpo quando ele o puxou para si com força, e sussurrou dentro do ouvido a única palavra dirigida desde que fora morar ali: - "Mariquinhas...".
posted by Dedê Ranieri @ 12:33 AM

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Quinta-feira, Agosto 02, 2007

Trauma - Dê, a tia da perua me esqueceu na escola. - De novo, Bibi? - Não, aquele dia. (aquele dia, leia-se quase um ano atrás) ...
posted by Dedê Ranieri @ 11:44 PM

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Quinta-feira, Julho 26, 2007
Da série: Tudo sobre Daniela Quando conheci aquela mocinha, toda linda loura e entendida de cinema expressionista alemão, fiquei indignada, claro! Que simpatia à primeira vista que nada, aquilo era concorrência desleal das brabas, e foi então que resolvi investigar. Alguma coisa errada devia ter: peruca (não é possível uma mulher ser loira e lisa ao mesmo tempo, God!), botox, make-up definitiva, texto decorado, chulé (até vasculhei sapatos e meias certa noite, no Guarujá), mas nada. Até que lá pelo quinto ou sexto encontro, já exausta de bancar a Sherlock Holmes, sofri mais um duro golpe. Não só estava frustrado meu objetivo de detectar algum indício de farsa na impecável sra. linda/loura/sabetudocinemaexpressionistaalemão, como ela ainda teve a cara-de-pau de esbanjar toda classe, ao requebrar até o chão um clássico da cantora contemporânea Tati Quebra-Barraco...
posted by Dedê Ranieri @ 11:10 PM

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Chamei a pequena Bibi de cinéfila. Ela fez biquinho e quase ganhei um olho roxo guaxinim, modelo outono/inverno. Eita menininha temperamental!
posted by Dedê Ranieri @ 2:17 AM

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Este Blog estava de Férias. De repente hoje acordou cantando O Amor é Filme (Cordel do Fogo Encantado), não dá pra entender, ele tem vida própria, juro!
... o amor é filme eu sei pelo cheiro de menta e pipoca que dá quando a gente ama eu sei por que sei muito bem como a cor da manhã fica dá felicidade, dá dúvida, dor de barriga é drama, aventura, mentira, comédia romântica
é quando as emoções viram luz e sombras e sons, movimentos e o mundo todo vira nós dois, dois corações bandidos
enquanto uma canção de amor persegue o sentimento o zoom-in dá ré e sobem os créditos
O amor é filme e Deus espectador!
posted by Dedê Ranieri @ 2:07 AM

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Quinta-feira, Junho 14, 2007
Curso de férias na Fábrica de Textos. Escola de escrita criativa. A brincadeira vira um livro no final. Muito muito legal!
posted by Dedê Ranieri @ 7:35 PM

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Sábado, Junho 02, 2007
Do que os homens têm tanto medo? (por Tati Bernardi) Pior do que uma mulher que fala o que pensa é uma que escreve...
Quando eu tinha vinte, vinte e dois anos, choviam homens querendo namorar comigo. Eu era uma menininha perdida, com um Corsinha todo batido, semi-virgem e com medo de ir para a praia aos finais de semana e deixar minha mãe sozinha. Choviam homens. E homens interessantes, juro. Aí agora, com quase trinta, moro sozinha, ganho bem, me tornei loira, aprendi a fazer coisas legais como torta de palmito e striptease e... nada. Os caras até se apaixonam por mim, se declaram, coisa e tal, mas nada de me levarem ao cinema de mãos dadas. Eu, meu guarda roupas fashion, meus livros publicados e meu ap moderno, vivemos sozinhos. Que é que eu tinha com vinte anos que eu não tenho mais? Não, não era um corpo melhor. Juro que eu tô melhor agora, que tenho como pagar o Paulão, meu personal. Também melhorei de cabelo, de pele, de sorriso, de voz. Meus amigos mais antigos tão aí pra confirmar, sempre que me encontram, comentam: “nossa Tati, como você ficou melhorzinha com os anos!” Então qual é o problema? Será que me falta aquela pureza que eu tinha com vinte anos? Poxa, mas eu não era exatamente pura, eu era só bobinha. Daquele tipo mala que espera chegar ao motel pra falar pro cara “sabe que é? Não tô a fim não”. Que homem gosta disso? Hoje em dia se não tô a fim não dou nem bom dia. Será que os homens sentem falta de quando eu era estagiária, com a mesadinha suada da mamãe? Pode ser. Homem é meio tosco e sempre se sente mais seguro com uma menina aprendendo o que é a vida. É mais fácil ser o rei do sexo com uma inexperiente, ou ser o rei do bom gosto gastronômico com uma garota que paga o mcdonalds com ticket restaurante. É, eu exigia e assustava menos naquela época. Mas será que é só isso mesmo? Descobri que não. Passei os últimos meses encarando todo e qualquer relacionamento como estudo antropológico e desvendei o grande mistério da minha solidão: os caras têm medo, na verdade, das minhas letrinhas. Dá pra acreditar? Eles acham que se não forem bons o suficiente na arte do acasalamento, no dia seguinte vai ter um texto meu com o titulo “tudo o que é bom dura pouco, mas dois segundos não é rápido demais?”. Eles acham que se não forem inteligentes o suficiente durante o jantar, no dia seguinte não vão escapar à minha critica “o que sobra dentro da calça falta dentro do cérebro”. Já teve cara que me pediu “se você for me largar, promete que me conta antes de publicar? Não queria ficar sabendo pela Internet!” E teve também, claro, o clássico: “putz, gata, você já foi logo escrevendo que adorou a noite de ontem, que está apaixonada...ficou muito fácil, perdeu a graça”. Tem de tudo. Do cara que não sustenta namorar uma mulher que não só tem passado (existe alguém com 28 anos que não tenha passado?) como resolveu escrever um livro sobre ele, ao cara que fala “tanto texto bonito para outros caras e nenhunzinho pra mim? Não quero mais sair com você!”. Outro dia ouvi de um cara que tava me paquerando “não, não vou comprar seu livro, vai perder o mistério”! É isso então. É aí que está o problema. Eu escrevo sobre a minha vida e isso causa nos machos um misto de medo “será que ela vai me expor?” com um misto de quebra de magia “ah, ela se expõe demais ali, prefiro aquela mulher muda e sem personalidade que sempre vai ser um mistério para mim”. Entrei numa baita crise. Tirei meu site do ar e tudo. Repensei a vida, repensei a morte da bezerra, aumentei a terapia, voltei pra meditação. Mas depois cheguei a uma conclusão maravilhosa e definitiva: nenhum homem, até hoje, me deu mais prazer do que escrever. Então que se danem eles.
posted by Dedê Ranieri @ 6:39 PM

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Quinta-feira, Maio 31, 2007

posted by Dedê Ranieri @ 7:36 PM

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Terça-feira, Maio 22, 2007
posted by Dedê Ranieri @ 2:00 AM

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Quarta-feira, Maio 16, 2007
A menina andava desconfiava que tinha entendido aquela tal teoria da relatividade, mas nunca -nunquinha- atreveu-se a levantar a mão para responder à professora. Deus me livre saber uma resposta que ninguém sabe. De que adianta ganhar ponto na nota e perder a consideração dos amigos. Nunquinha. Mas é simples, muito simples, matutava. A tal relatividade, oras. Às vezes gostava de azul para vestir, mas só quando fazia dia de sol -daí todo mundo dizia como deve ser bom ter olho que combina com a roupa. Às vezes gostava de preto, quando queria parecer mais moça, e como toda moça queria parecer mais magra. Às vezes amarelo, mas só se estivesse queimada de sol, senão ganhava cara de doente. A menina também aplicava seus conceitos à música. Às vezes gostava de samba, quase sempre gostava de samba, mesmo dizendo na escola eu odeio samba. Às vezes gostava de rock, mas nem sempre gostava de rock, mesmo dizendo na escola eu amo muito rock. Acontecia com freqüência de a menina gostar um pouco de tudo, mas esse era um segredo que não registrava nem no Diário. Porque um dia ouviu a professora dizendo ou leu numa revista, que quem gosta de tudo não gosta de nada. Não tem opinião. E ela, apesar de menina, tinha muita opinião, mesmo que não saísse espalhando por aí. Só que era opinião sobre muitas coisas, coisas que às vezes gostava sim, às vezes gostava não. Ela sabia que podia gostar e não gostar da mesma coisa. Só não queria explicar isso aos outros, porque até para ela parecia idéia de gente maluca. Então a menina, sem perceber, ganhou mania de imaginar a tal da relatividade em tudo. Se a conversa na calçada estava boa, a mãe mandava entrar -o tempo passava tão depressa. Se com a boca aberta na cadeira do dentista, o mesmo tempo multiplicava em dez -às vezes cem, se era canal. À medida em que crescia, a menina ia deixando de lado as comparações. Até que chegou na faculdade, já não tinha medo de emitir opinião. Então que a menina descobriu incubada a velha mania, num dia em que participava de calorosa discussão - a classe defendia a aplicação de penalidade máxima para o que parecia prática de um crime com agravante de emboscada. Opinião unânime, sessenta e um do Código Penal na cabeça. Ah, a velha mania. Subiu no púlpito a menina, candidata sem concorrência, à advocacia de defesa, e defendeu em alto som sua solitária opinião. Que nem toda emboscada deveria ser considerada agravante. E nem todo ataque por trás era ato de covardia. E não disse mais nada. Já não era mais menina, por isso nem se importou com a vaia geral. Mas alguém no fundo da sala entendia o referencial para fundamento de tão brilhante defesa. Ele, que rabiscava num bilhete o quanto admirava sua maneira original de mandar recados.
posted by Dedê Ranieri @ 2:16 PM

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Terça-feira, Maio 15, 2007
Segundos pra começar a responder, quiçá minutoNinguém entendia como ela podia ser feliz daquele jeito. Ninguém entendia como alguém podia ser feliz daquele jeito. Alguns comentavam que era tipo, só podia. Ou aplicação de botox que congelou o riso. Como podia alguém andar exibindo aquele sorriso, e negar na maior cara-dura créditos ao prozac, valium, o que o valha? Chegava a ser falta de respeito. Alguma (má) intenção de ser candidata a cargo eletivo, decretavam. Os mesmos que diziam não votar nela na certa, na hipótese de. E dá pra confiar em alguém que está sempre sorrindo, sabe-se lá sob que efeito, cochichavam entre risinhos de retribuição. Melhor não contrariar -médicos sempre dizem- e sorrir de volta pra ela. Não se deve confiar em quem não revela o uso de botox, prozac, valium, o que o valha. Outro fato que intrigava era quando perguntada sobre como andavam as coisas. Ela demorava muitos segundos pra começar a responder, quiçá minuto. São os remédios, concluíam satisfeitos. Perda de memória recente. Albinismo mental. Meu sobrinho é médico especialista em ... Mas o que ninguém sabia era do truque. Truque. Ritual. Lista. O que o valha. Quando perguntada sobre como andavam as coisas, ela listava mentalmente umas sete ou oito que poderiam ter estragado seu dia: multa de trânsito às sete na esquina de casa, meia-hora pra ser atendida na telefônica, manicure que quase lhe deu uma surra quando recusou a florzinha com glitter nas unhas, não ter lembrado o nome daquele filme que ela amava quando ele disse que amava aquele filme, vendedora garantindo que depois de algumas lavagens a peça de roupa iria lacear, vendedora garantindo que depois de algumas lavagens a peça iria encolher, telefonema do ex-namorado bêbado na madrugada, pernilongo voando perto da orelha na madrugada... Pra depois recomeçar o truque ao contrário, e então desfilar uma lista quase sem fim daquelas coisas que, quase tinha vergonha de contar de simples que eram, davam uma sensação boa de felicidade. Então por trás do riso congelado que ninguém entendia -a espera- ela organizava num método de organização própria, nuns compartimentos secretos da alma, o barulhinho da água escorrendo pelo ralo quando desligava o chuveiro, a notícia dada à queima-roupa de que aquela pessoa que gostava tanto sabia cantar a sua música predileta e tocar no violão e tinha os mesmos vícios, cozinha japonesa-brigadeiro de colher-roer unhas, o pote de sorvete macadâmia dividido na tarde de um domingo chuvoso, o pote de sorvete que devorou sozinha na tarde de um domingo chuvoso, o pedaço mais gostoso de pizza que encontrou no microondas quando chegou de madrugada, a cara que ele fez quando ela disse "entra no carro e não pergunta que é surpresa", da própria cara quando ele disse "entra no carro e não pergunta que é surpresa", o dia em que marcou um cinema e esperou a sessão na platéia do show do Jair Rodrigues, sem saber que ia ter show, o Jair Rodrigues cantando Rosa do Pixinguinha no show, o show que era de graça, o almoço com a amiga querida no jardim da Dona Cleide naquela casa que não tinha placa de restaurante, a limonada que veio na jarra, o caminho que acertou de primeira, o caminho que errou várias vezes e só assim descobriu aquela loja de sapatos e o tiozinho simpático que vendia meias por ótimo preço e sabia o nome de todas as ruas, a cara feliz dos seres amados congelada na fotografia amassada na carteira, porta-luvas do carro, memória ... Quando percebia a lista sem fim, lembrava da espera: tudo maravilha! ... e o sorriso sabe-se há quanto tempo lá estampado, o corpo todo sorrindo. Tudo maravilha ... E dá pra confiar em alguém que está sempre sorrindo, e demora tanto tempo pra responder "tudo maravilha!"? Melhor não contrariar e sorrir de volta pra ela. É o que dizem os especialistas. Não se deve confiar em quem vive sorrindo e tudo maravilha às custas de botox, prozac, valium. O que o valha!
posted by Dedê Ranieri @ 1:53 AM

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Quarta-feira, Maio 02, 2007
Um gim-tônica, please! Não sei em que maldito manual eu tinha lido aquilo, mas apliquei naquela noite. Aquela noite em que ele, mais velho e todo seguro de si, me convenceu a sair pra jantar. Não exatamente um jantar, já que decidi aceitar o convite lá pelas dez e meia de uma quinta-feira. Então ficou acertado que não era jantar. Era balada. Em alguma esquina da Juscelino ou Faria Lima, um lugar chamado Miscelânea ou algo assim, demolido faz uns bons anos. Mas não era uma balada pra dois. Só me contou na hora. Era aniversário de uma amiga dele, com pinta de ex-casinho, ou casinho atual. Acho que casinho atual da época, e ele querendo fazer ciúmes, já que a casinho tinha um marido. Ausente, mas marido e presente na festa. Piloto comercial de avião atarefadíssimo, mas marido. E eu ali toda coadjuvante, acompanhando olhares. Ele, ela, o marido. Eu fingindo distraída, cara de sonsa, deixando ele puxar pela mão e me girar na pista pra parecer mais alegria que ciúmes. You're just too good to be true Can't take my eyes of you. Mas o papo caiu bem, e meu personagem marginal foi ganhando espaço. Sorrisinho pra lá, pra cá. Oi casinho, oi marido, tô nem aí pra vocês, quero mais é dançar na pista, vocês são todos loucos mas a festa tá boa. Quando crescer quero ser igual a vocês. You'd be like a heaven to touch I wanna hold you so much. Legal sua amiga, dizia a casinho, dizia o marido. E ele tentando traçar uma curta biografia da minha pessoa, under trocentos mil decibéis: minha nova estagiária. Mentira. Estagiária do amigo-antigo-sócio, deixa pra lá. At long last love has a right And i think God i'm alive. Então é o seu batismo, cuidado com ele, dizia a casinho, dizia o marido, duelando com a música, caixa de som colada no ouvido. Então um brinde à nova aquisição, nova estagiária, quer dizer ..., sorria a casinho, sorria o marido. Sorríamos todos, voltando pra mesa. Uma bebida, garçon s'il vous plaît. Ele perguntou o que eu queria beber, eu disse coca-cola, que acordava cedo pra aula no outro dia. Mas naquela noite foi instituída uma espécie de lei-seca às avessas, legislação específica pra nossa mesa. Daí foi que eu me vi no meio daquela gente tão adulta. Ele advogado pós-graduando em qualquer coisa desportiva, a casinho arquiteta no Rui Ohtake, o marido piloto de uma empresa aérea hoje falida, e mais uma pequena multidão de gente grande. Festa estranha com gente esquisita, qual seria minha birita? Um gim-tônica, por favor! Gim-tônica?!! Torci pra que não perguntassem porquê. Nunca tinha experimentado, que ao menos fosse docinho. Fiquei sem graça, não era pra causar espanto. Era pra parecer adulto. Afinal, o que adultos malucos como vocês bebem? Uma cerveja, uma vodka, um energético, tudo na mesma comanda, please. Em que maldito manual eu tinha lido que gim-tônica era bebida de adulto? Fiquei pra lá de Bagdá na primeira dose. Sim, porque vieram outras. Quando crescer eu quero ser igual a vocês, ic. Afinal, eu não era a estagiária que amava gim-tônica? Vê mais uma garçon! E tome gim-tônica. E tome festa esquisita e gente estranha. Mais gim que tônica. Mais uma dose é claro que eu tô afim a noite nunca tem fim. Por que eu não bebo cerveja como todo mundo? Porque eu li em algum maldito manual que ... (You're just too good to be true) A RAINHA-MÃE ELISABETH AMA GIM-TÔNICA ELA JÁ TEM QUASE CEM ANOS TAÍ O SEGREDO DA LONGEVIDADE ELA É SUPER POPULAR ENTRE OS BRITÂNICOS ELA É DA NOBREZA MAS QUE BELEZA, PORQUE, PORQUE, PORQUE. Porque é cool, ora bolas! Porque eu leio manuais. Porque eu quero ser que nem vocês, ué! Em qual maldito manual eu tinha lido isso mesmo? Acordei na porta de casa, before sunrise. Ele mexendo no meu cabelo, sussurrando no ouvido: acorda estagiária, bebeu ontem que nem gente grande. Que nem gente grande, eu?! Tinha me esforçado tanto pelo reconhecimento, e de repente era só o começo de uma estranha descoberta: será que gente grande é sempre assim tão idiota?
posted by Dedê Ranieri @ 12:06 PM

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Quinta-feira, Abril 26, 2007
Eu acompanhava a mulher loira e sorridente até o hospital, num dia ensolarado. Em um dos quartos, que mais parecia um refeitório cheio de camas, estava o homem sentado com roupão branco e um bebê no colo. Ele tinha acabado de dar à luz uma menina loira e rosadinha, que já vinha até com lacinho no cabelo. Estavam todos sorridentes, no teto uma clarabóia que deixava o local bem iluminado. Conversamos sei-lá-o-quê, só lembro que dei parabéns pelo nascimento do bebê, sem questionar o fato dele ter ficado grávido. ... Eu caminhava com uma menina num gramado bem verde e muitos arbustos, num dia ensolarado. Alguns jardineiros podavam os arbustos, enquanto ela me contava que um amigo querido andava exagerando nas loucuras. Queria comer flores, entre outras maluquices. Eu nunca tinha visto a menina, mas sabia que ela era amiga dele e que ele realmente seria capaz das maluquices que ela contava. Não sei como, depois descobri que estávamos passeando num cemitério, mas não vi lápides nem túmulos nem nada. ... Eu entrava em um saguão na companhia de alguém conhecido, mas não me lembro quem. Era uma entrada suntuosa, parecida com a do Teatro Municipal de São Paulo. Vindo em nossa direção, um padre e outro sacerdote com um manto dourado chiquetésimo e algo como uma coroa na cabeça. Minha companhia beijou a mão do sacerdote com cara de rei, e eu pensei que deveria ser o Papa que tinha chegado ao Brasil, apesar de não ser o rosto do papa, e sim de algum apresentador de TV tipo Bóris Casoy. As pessoas estavam tensas diante daquela presença, então me curvei e beijei o anel do suposto Papa, e fiz o sinal da cruz todo errado, já que não sou católica e não tenho o hábito de simbolizar a Santíssima Trindade. Fiquei constrangida porque todo mundo percebeu que eu não sabia fazer direito o sinal. ... Fazia um bom tempo que não me lembrava dos meus sonhos. De repente, essa semana, lembrei desses, e decidi suspender o leite antes de dormir. E voltar a tomar Gardenal.
posted by Dedê Ranieri @ 12:17 AM

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Domingo, Abril 22, 2007
Freedom is just another word for nothing left to lose Nothing don't mean nothing honey if it ain't free, now now And feeling good was easy, Lord, when he sang the blues ...
posted by Dedê Ranieri @ 11:31 PM

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Sexta-feira, Abril 13, 2007
no filme ou na novela é o disfarce que revela o bandido meu coração vive cheio de amor e deserto perto de ti dança a minha alma desarmada nada peço ao sol que brilha se o mar é uma armadilha nos teus olhos.
((Balada de Agosto - Zeca Baleiro))
posted by Dedê Ranieri @ 1:49 AM

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Quarta-feira, Abril 11, 2007
a gente é só amigo e de repente eu bem que podia ser essa mosca perto do teu umbigo Alice Ruiz
posted by Dedê Ranieri @ 3:54 PM

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(capturada na fila do banheiro do bar )
- Quanto tempo! Não ligou mais.
- Liguei sim. Até chamei pra uma festa, lembra? Mas teve aquele lance da guarda compartilhada do cachorro com a ex-namorada. - É mesmo. - Trocada por um yorkshire ... - Lhasa apso! - Dá na mesma. Um homem desse tamanho. Maior coisa de viado. - FALA BAIXO. ...
posted by Dedê Ranieri @ 1:13 AM

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Domingo, Abril 08, 2007
won't you help to sing these songs of freedom?
posted by Dedê Ranieri @ 1:35 PM

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Homens essas maravilhosas máquinas de dar voadoras
Pré-sexta-feira-santa: "Que atributos!", dizia um rapaz para minha linda amiga xx, no meio de uma festa, com os olhos fixos na comissão de frente da moça. Bem no dia em que ela colocou um invisible bra triplo.
Pós-sexta-feira-santa: "Eu gostei de ficar com você, mas costumar ser honesto, não estou procurar uma namorada, mas podemos divertir de vez em quando..." (sic). Mensagem recebida por outra amiga, não menos linda que essa aí de cima, depois de trocar umas bitocas com um norueguês num charmoso pub em Sampa, tipo príncipe-William, sabe? Os caras não perdoam nem semana santa. Valha-me Deus!
posted by Dedê Ranieri @ 12:40 PM

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Sexta-feira, Abril 06, 2007
Era uma vez 
numa galáxia muito distante um hotel de alta rotatividade
- Moça, o que faz parte dessa promoção? - Café da manhã, a partir das seis. - E pra agora, pode sorvete? - Minuto.
... - Pra agora festival mexicano. - E como é isso? - Seqüência de tacos, burritos, nachos, guacamole, pasta de feijão ...
Ele torce o nariz. Melhor esquecer a promoção e olhar o cardápio. Conservador de extrema direita, entrou em pânico só de imaginar a dupla de mariachis invadindo o quarto.
posted by Dedê Ranieri @ 3:58 PM

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Quarta-feira, Abril 04, 2007
Depois que o Keith Richards revelou ter cheirado as cinzas do próprio pai com cocaína, me sinto mais à vontade pra confessar que eu chorei na final do Big Brother. Mais ainda quando o Alemão beijou a Íris. Pronto, falei!
posted by Dedê Ranieri @ 4:40 AM

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Terça-feira, Abril 03, 2007
 "O destino é como um raio é certo, chega sem avisar atraído, todo puro de uma confusão de calores e frios onde aquele se sente completo e se ele te partetira teu fôlegoe imprime na tua históriao gosto da memória"by L. G. Ruiz, amigo querido e poeta e artista plástico e publicitário e mais mil coisas geniais
posted by Dedê Ranieri @ 2:11 PM

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Terça-feira, Março 27, 2007
Quero antes o lirismo dos loucos O lirismo dos bêbedos O lirismo difícil e pungente dos bêbedos O lirismo dos clowns de Shakespeare Não quero mais saber do lirismo que não é libertação. (Manuel Bandeira)
posted by Dedê Ranieri @ 9:32 PM

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Sexta-feira, Março 23, 2007
Até tu, Helosinha! Claro que não é o forte dos meus amigos deixar passar em branco qualquer situação, por mais trágica que seja, pra me sacanear.
Mas por essa eu não esperava.
Até a minha amadinha Helô, meiga que só ela, mandou e-mail com link da notícia sobre a mulher que morreu ontem em Goiânia, depois de fazer uma escova progressiva. Até a amadinha se valendo do humor-negro pra atingir esta persona que vos escreve. E ainda há quem duvide que vivemos dias pré-apocalípticos.
Notem que existe um certo exagero em relação à minha pessoa e respectivos cuidados capilares, pelo simples fato de eu não dispensar um escovão ou uma chapinha: na praia, no campo, ou na cidade. Nada demais, ué! Que mulher não vai ao salão de cabelereiro três vezes por semana alisar a juba? Seja na praia, no campo, ou na cidade.
Nem por isso devo ser alçada à categoria das Neuróticas por Chapinha Anônimas - NCA, como andam dizendo por aí (ou devo?). Eu merecia sim, entrar pro Clube das Incompreendidas por se Preocuparem com os Cabelos - CIPC. Mas parece que o mundo anda contra mim!
Outro dia saí pra jantar, noite linda e tal, companhia mais linda ainda, restaurante à altura, cozinha asiática - pratos exóticos e afrodisíacos -, vinho tinto, velas, decoração no melhor estilo "Lagoa Azul", tudo parecia perfeito: eu, meu partner e meu cabelo lisérrrrrrimo-recém-saído-do-salão.
Tudo perfeito, até que senti o inimigo se aproximar. Digo, jorrar. Sim, senhores! Sem me dar qualquer chance de defesa, ele atacava por todos os lados, aqueles jatinhos horrorosos de água pra refrescar o ambiente, coisa que, diga-se de passagem, só pode ter sido inventada por algum HOMEM, e careca, e ainda por cima totalmente alienado à discussão do momento: aquecimento global! Aonde já se viu desperdiçar H20 daquele jeito?
Naturalmente chamei o garçom, e lancei algumas perguntas a respeito daquele singelo vapor d'àgua que se espalhava por todo salão, e ele me respondeu, visivelmente satisfeito por eu ter notado o "diferencial" da casa, que os jatinhos eram programados pra funcionar entre breves intervalos, com duração de 45 segundos (!!!) cada, pra sempre enquanto houvesse calor (!!!).
Quase sem conseguir disfarçar meu desespero, fui obrigada a abrir o jogo com o garçom, sobre tipos de cabelos e suas possíveis variações quando expostos a jatos d'água etc, e pra minha sorte a esposa do compreensivo funcionário também era adepta da chapa, e ele atendeu meu pedido prontamente, desligando aquela coisa horripilante.
Claro que eu defendo o "bem-estar comum" mas só até a página 5, e desde que não conflite com o bem-estar dos meus cabelos.
Deus me livre de fazer um moço passar por esse terrível constrangimento. Sair pra jantar com uma Barbie, e voltar com uma Globetrotter.
posted by Dedê Ranieri @ 1:34 AM

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Quarta-feira, Março 21, 2007
(Quase) Tudo sobre minha irmã
Pra quem não sabe, além de dançarina, poeta, tocadora de violão, roteirista de filmes proibidos para menores, sushiwoman, enxadrista, agente literária, psicanalista, pianista, banqueira e poliglota, sempre nutri um desejo secreto de ser cantora. Daí que terça-feira passada comecei uma oficina de canto intitulada “Canto - A Voz da Canção Brasileira”, oferecida pela Secretaria de Cultura de Bernô City (que aliás, está oferecendo um curso melhor do que o outro este ano!).
As aulas começaram e coisa e tal, dinâmica pra cá dinâmica pra lá, dupla pra massagear as cordas vocais em sistema de revezamento, massagem na cabeça do outro, orelha do outro, pé do outro, e daí que uma hora ou outra isso ia acabar acontecendo ... os professores fatalmente iam mexer na memória musical da gente.
Mandaram escolher uma música que tivesse marcado a infância ou uma época (que poderia ser até recente) pra levar na próxima aula, mas não uma música qualquer, e sim aquela que tocasse “na alma”.
Claro que na hora lembrei dos meus ídolos dos anos 80, Menudo, Trem da Alegria, Balão Mágico, Ultraje a Rigor, RPM e tais, mas no meio dessa turma toda insistia em aparecer a figura espaçosa do Tim Maia.
Ele não era meu contemporâneo, pelo menos não como a turma do Balão Mágico ou o Polegar, então tentei lembrar como foi que o gordão invadiu a minha alma sem que eu percebesse, e me lembrei que foi culpa dela, minha irmã mais velha. Ela tinha um namorado, por quem era louca de viver, o que, aliás, eu não entendia muito bem, já que naquela idade meu único critério de avaliação era a beleza, e pra mim ele tinha uma beiçola bizarra que ocultava todo o resto dele, mas enfim, minha irmã era louca pelo cara e tal, namoraram vários anos, até que numa determinada época terminaram, e ela ficou na maior deprê.
Apagava a luz da sala e colocava um disco (!) do Tim Maia, que àquelas alturas já devia estar quase furado na faixa "Paixão antiga sempre mexe com a gente, é tão difícil esquecer ...". Eu, que na época tinha uns sete anos, ficava espionando e achava lindo a minha irmã sofrendo no escuro, deitada no sofá, com aquela voz de trovão ao fundo, e pensava que quando crescesse queria ter um namorado - mais bonito que o dela, é claro - e ficar ouvindo música no escuro, com aquela expressão tão ... lindamente adulta!
Quando desconfiava que ela estava chorando, eu fingia que tinha acabado de chegar e acendia a luz de repente, e ela dava uns berros escondendo o rosto "apaga essa luz, tô com dor de cabeça ...", e eu apagava, claro, já satisfeita e com a certeza de que eram lágrimas de verdade, fresquinhas. Sala escura, Tim Maia e lágrimas, esse era o clímax. Às vezes eu esperava todo mundo sair pra apagar a luz da sala, colocar o disco, e deitar no sofá igual a ela - não sei exatamente porquê, mas às vezes colocava uns óculos escuros espelhados que eu amava (na época era moda, ok?), acho que já era uma precursora das raves, sei lá.
Claro que tudo que a gente faz nessa vida tem sua volta, e até aqueles desejos mais bobinhos de criança caem na boca do Universo, e um belo dia ... conheci um maldito com o mesmo nome do beiçola (!), que aprontou tanto ou mais que o beiçola, e me deixou tão ou mais triste que nem o beiçola fez com a minha irmã.
Claro que não achei a menor graça em ficar triste, e por precaução instalei sensores na sala de casa, daqueles que acendem a luz quando você passa, e quebrei todos os discos do Tim Maia.
...
Pelo jeito esse curso vai fazer com que eu economize uma grana no analista. Agora além de falar eu vou cantar ... Vão ter que me aturar!
Essas coisas de tocar na alma dá nisso.
posted by Dedê Ranieri @ 12:56 AM

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Sexta-feira, Março 09, 2007
Crônica para todos os dias da mulher (dele, sempre dele! amado e idolatrado Xico ...) Uma das maiores virtudes de uma fêmea é arte de pedir. Como elas pedem gostoso.
Como elas são boas nisso. Resistir, quem há de? Um simples “posso pegar essa cadeira, moço?” vira um épico. É o jeito de pedir, o ritmo da interrogação, a certeza de um “sim” estampado na covinha do sorriso. Pede que eu dou. Pede todas as jóias da Tiffany´s, minha bonequinha de luxo! Estou pedindo: pede! Eu imploro, eu lhe peço todos os seus pedidos mais difíceis. Pede a bolsa mais recente da Louis Vuiton, pede o shopping inteiro, pede o Iguatemi, pede a Daslu, melhor ainda, pede a Daspu e veste só para o teu homem. Pede que compro nem que seja no camelô, na 25 de Março, nas galerias dos coreanos, compro da Orenilda, minha prima sacoleira de São Miguel Paulista. O que importa é o requinte e o atendimento da demanda. Não me pede nada simples, faz favor, please. Já que vai pedir, que peça alto. Você merece, uma mulher como essa não tem preço. Amor sincero? Fácil, fácil. Fidelidade? Acabo de criar o seu exclusivo cartão de milhagem. Como é lindo uma mulher pedindo o impossível, o que não está ao alcance, o que não está dentro das nossas posses. Podemos não ter adonde cair morto, mas damos um jeito, um truque, 12 vezes sem juros, no pré-datado, no cheque sem fundos. Até aqueles pedidos silenciosos, quando amarra a fitinha do Senhor do Bonfim no braço…, são lindamente barulhentos. Homem que é homem vira o gênio da lâmpada diante de uma mulher que pede o impossível. Ah, quero o batom vermelho dos teus pedidos mais obscenos. Quero o gloss renovado de todas as vezes que me pede para fazer um pedido, assim, quase sussurrando no ouvido: “Amor, posso te pedir uma coisa? Posso mesmo?” Um jantar no D.O.M. ou no Fasano? É pouco para o meu bico. Flores de helicóptero? Como na filosofia do pára-choque, o que você pede chorando que não faço sorrindo?! Que eu faça o trânsito de São Paulo andar mesmo no dia da visita do Bush? A sua rua, só a sua, está livre, com pedrinhas de brilhantes para o meu amor pisar. Pede, benzinho, pede tudo. Que eu largue a boemia, pare de beber e me regenere??? Pede, minha nega, que o amor tudo pode. Mesmo as que têm mais poder de posse que todos nós não escapa de um belo pedido. Com estas, as mais poderosas, tem ainda mais graça. Elas pedem só por esporte ou fetiche, o que não lhes comprometem a pose e muito menos a independência. Não é questão de poder ou dinheiro. O que importa é o pedido em si, o romantismo que há guardado no ato. Os melhores cremes da Lancôme? Vamos a Paris comprar juntos. Eu lhe peço: me pede. Não pede mimos baratos, pede atenção, por exemplo, essa mercadoria tão cara ao mundo das moças. Pede que corrija os erros do meu português ruim, que eu deixe de alternar a segunda e terceira pessoa, que falta de classe, na boa, pede, nem que eu chame o Pasquale para ficar de “vela” corretiva entre eu e você, digo, entre tu e eu, melhor, entre nós dois… Pede, amorzinho, pede gostoso, hoje sou o senhor de todas as tuas demandas, aproveita a febre, a efeméride, de diamante para baixo o céu é o limite. Xico Sá
posted by Dedê Ranieri @ 1:50 PM

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Quarta-feira, Março 07, 2007
i can touch the heaven i can touch i can fly like/with butterflies i can touch your mind i can touch myself i can fly i can fly
but now i just wanna go sleep
we don't see anybody else anybody else
but you touch my hand you and me anybody else you ask if everything is fine you take my hand and put me in the car you promise to come back and ask if everything is fine
i just wanna go sleep i tell you go, it's ok go and touch the heaven and fly with the butterflies and bring me a star
...
you'll be always on my mind anybody else anybody else bring me a star
posted by Dedê Ranieri @ 1:32 AM

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Terça-feira, Fevereiro 27, 2007
Se essa cidade é uma maçã Vou passar os dentes nela (S. Porcaro e J. Bettes – versão: Jorge Salomão e Wally Salomão)
posted by Dedê Ranieri @ 9:36 AM

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Quinta-feira, Fevereiro 22, 2007

Alice quando criança tinha um pé de goiaba no quintal
Alice mudou de casa faz mais de dez anos no lugar do pé de goiaba vaga pra carros mas
o inquilino nem sabe
que um dia existiu a goiabeira
Alice sentada na janela não tem pé de goiaba qualquer árvore pra subir Alice nem é mais criança mas queria ter uma árvore no quintal pra não ter que ficar sentada no beiral
Alice sentada na janela falando ao telefone nem percebe que o tempo passou porque Alice faz tudo igual chora ri igual e mexe nos cabelos que nem quando tinha um pé de goiaba no quintal
Alice só não conta sentada no beiral que o medo que tinha de criança de cair da goiabeira ainda hoje sente igual.
posted by Dedê Ranieri @ 12:18 AM

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Sexta-feira, Fevereiro 16, 2007
A Máfia diverge, em prol da perpetuação da espécie Cada uma tem um tipo, apesar de jurarem de scarpins juntinhos que não existe um tipo em especial. A Thatha, por exemplo, considera pré-requisito ser alto (por motivos óbvios, pra quem conhece o metro e oitenta de mulher) e ter barba, que seja por fazer; houve um tempo em que adicionava a essa lista (acho que sem perceber, porque ela nega) uma respeitável cabeleira (não mullets, nunca!), época em que poderia ter sido facilmente apelidada de "a mina do Che Guevara" (roubei essa). Pra Gigi, moreno de olhos verdes, com bastante flexibilidade no quesito altura e zero de tolerância para os pêlos, principalmente nas costas a caminho do cóccix; enfim, são detalhes sórdidos que ela não gostaria de ver publicados. A Ana, coroas meio grisalhos, coisa que ainda não tenho uma opinião formada, já que outro dia ela falou de um "coroa de 36", o que me deixou arrasada, considerando que foi apenas dois dias depois que entrei pra casa dos trinta. A Rô curte um corpo perfeito, pra combinar com o dela naturalmente, aquilo tudo que Darwin já explicou na sua teoria sobre seleção natural etc. A JuJu tem um pouco da Ana com a Rô, e às vezes da Gigi ..., ou seja, totalmente a favor da diversidade, desde que não seja um japonês muito sensível ao som do Jota Quest. A Dani ainda não descobri, pra infelicidade dos candidatos que tentam me subornar regularmente. E eu ... juro de scarpin juntinho que não tenho um tipo especial, mas se tem uma coisa que acho das mais sedutoras, é um homem que sabe exatamente quando usar ponto-e-vírgula.
posted by Dedê Ranieri @ 12:16 AM

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Terça-feira, Fevereiro 13, 2007
porque é bom ouvir das coisas que ainda não sei (do israelense que domina a cena) ou não consigo ver sozinha (minha pupila dilatada num domingo de quase sol)
se cada momento me toca e não tenho uma escada pra alcançar o céu e pintar em letras garrafais que seja na forma de um poema um beijo na testa um cuidado especial nas suas prediletas em MP3
que seja assim e que seja pra além do carnaval arlequim!
posted by Dedê Ranieri @ 11:30 PM

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Domingo, Fevereiro 11, 2007
I want to thank youfor giving me the best day of my life...
posted by Dedê Ranieri @ 2:25 PM

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Terça-feira, Fevereiro 06, 2007
Cadência perfeita Quando se beijaram pela primeira vez tocava uma música do Jota Quest. No segundo encontro, assim que ela entrou no carro, o Rogério Flausino começou a cantar no rádio (encontrar alguém ...). No terceiro combinaram um bar com banda, e a primeira música da noite foi Jota Quest. Ele, de olhos encharcados, teve a certeza de que aquilo era um sinal, e jurou amor eterno ao som de Amor Maior. No quarto encontro ela foi presenteada com o cd da banda, MTV ao Vivo. No quinto veio o DVD. (E em homenagem à indústria do software, ao grupo, e à amada, nenhuma das aquisições foi pirata!). No sexto, ingressos para um show de camarote no Espaço das Américas. No sétimo foram parar num karaokê na Liberdade, onde ele dedicou duas faixas do álbum Oxigênio para ela. No oitavo, Trovadores Urbanos na janela, só com hits da banda mineira. E foram tantas as surpresas personalizadas, até que lá pelo décimo ou décimo primeiro encontro, ele chegou antes do combinado, vibrando com uma camiseta autografada por toda a banda. Mas teve a ingrata surpresa de ver o Jota Quest, padrinho daquele enlace quase transcendental, trocado por um groove muito do desalinhado. ((Jullyete, J. Q. em sua homenagem!))
posted by Dedê Ranieri @ 1:53 AM

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Sempre é tempo
de aprender a tocar violão ler um livro por mês perder quatro quilos até o carnaval entender o jogo do bicho.
posted by Dedê Ranieri @ 12:16 AM

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Segunda-feira, Fevereiro 05, 2007
todo dia de manhã é nostalgia das besteiras que fizemos ontem.
posted by Dedê Ranieri @ 4:36 PM

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Sexta-feira, Fevereiro 02, 2007
... "... manhã de sol, meu iaiá meu ioiô ..." Essa menina não vai bem, diz a mãe enquanto o pai lê a coluna de gastronomia do Estadão. Agora deu para ouvir Wando. "... quando tão louca me beija na boca me ama no chão ...". Veja você, até canta junto de olho fechado. O pai comenta que o novo colunista tem nome familiar - Luiz Henrique Ligabue -, e menciona qualquer coisa sobre a infância na Freguesia do Ó. Era isso, os Ligabue eram da sua infância na Freguesia do Ó. A mulher que depois de se mudar para Higienópolis ignorava qualquer outro bairro que não contornasse a Praça Vilaboim, fingiu não ouvir. A moda é música eletrônica, ando bem informada. Minhas amigas levam as filhas em raves, essas festas, sabe? que o pessoal usa óculos escuros à noite. Pois digo que eu preferia nossa filha usando óculos escuros à noite que ouvindo Wando. O pai recorta do jornal a crítica sobre um famoso caldo de mocotó no ABC, e guarda no bolso. A mãe lembra que na infância compraram até uma Coleção Royal Philharmonic para crianças, um dinheirão. O pai não tira o olho das notícias, mas defende a menina, ao menos gosta de ler. Pois digo que prefiro nossa filha em casa lendo e ouvindo Wando, que usando óculos escuros por aí à noite. Lendo, e o que ela está lendo? Sexo, tortas e rock'n'roll, isso lá é coisa séria? Música brega, literatura marginal, sinceramente não sei aonde foi que eu errei. "...louca de amor, me chama de céu, oh oh oh oh oh ...!".
posted by Dedê Ranieri @ 12:35 AM

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Quarta-feira, Janeiro 31, 2007

posted by Dedê Ranieri @ 12:04 AM

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Terça-feira, Janeiro 30, 2007
quem deixou me olhar assim não pediu minha permissão não pude evitar tirou meu ar fiquei sem chão menino bonito menino bonito ai ai menino bonito menino bonito ai é tudo o que eu posso lhe adiantar o que é um beijo se eu posso ter o teu olhar cai na dança cai vem pra roda da malemolência Céu
posted by Dedê Ranieri @ 11:45 PM

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Segunda-feira, Janeiro 29, 2007
O irmão de Laurinha Toda vez que alguém duvidava do que dizia, Laurinha colocava uma pedra: Quem disse foi meu irmão, credenciado pelo Instituto Tecnológico de Massachusetts..., como se aquilo bastasse para encerrar o assunto.
Mas sempre tive dúvidas se era mesmo o irmão que falava, ou se usava o artifício para tornar inquestionável e definitiva qualquer abobrinha que tivesse lido em algum lugar, ou até mesmo inventado.
Até que num dado momento, bastava dizer com sua voz de gralha, “Quem disse foi meu irmão”, para o interlocutor, ou o bando deles, completar imitando sua vozinha “... credenciado pelo Instituto Tecnológico de Massachusettssssssss”.
O fato é que passei alguns anos ouvindo Laurinha falar do irmão, do Instituto e de todas essas teorias que nunca soube se eram mesmo assim tão indiscutíveis, ou fruto da imaginação daquela mente perversa. Pois a malvada tinha um trunfo que nos roubava qualquer argumento. Seu irmão era mesmo credenciado pelo Instituto Tecnológico de Massachusetts.
Ou ao menos morava em Boston, pois todas as vezes que chegava uma carta ou postal, a mãe de Laurinha corria mostrar para a vizinhança, e meu avô, filatelista, se tornara o portador oficial dos selos, e eles vinham da terra do Tio Sam.
Então um dia, quando eu estava prestes a completar 16, fiquei sabendo que o irmão sabido tinha chegado na cidade, e que a família de Laurinha preparava um jantar de boas-vindas.
Já logo imaginei como seria o tal futuro Prêmio Nobel, e certamente na minha imaginação ele usava óculos, daqueles que deixa qualquer um com cara inteligente.
E imaginei também a faixa de boas-vindas que o esperaria na rua “Welcome Home, Sabido!”, com itálico no inglês e tudo.
E imaginei ainda que roupa eu usaria no tal jantar, e que coisas inteligentes diria, caso o irmão ilustre me desse a honra da palavra.
Mas um imprevisto aconteceu. Laurinha me chamou para fazer o dever de escola em sua casa, o que, se por um lado me colocava na privilegiada condição de amiga-da-irmã-do-credenciado-em-Massachusetts, por outro atrapalhava meus planos de estudar alguns temas inteligentes até a noite do jantar, como física quântica ou o controle de Israel sobre as fronteiras com a Cisjordânia.
Então me restou passar em casa correndo, e pegar um dos livros da biblioteca do vovô. Escolhi o de poemas de um escritor argentino, presente do Dr. Altamiro, advogado amigo da família, que apesar de nunca ter estudado no Instituto Tecnológico de Mstts, nem ao menos estado em Boston, gozava de boa reputação intelectual na cidade. Logo concluí que Dr. Altamiro e Borges, o poeta argentino, seriam minha salvação.
Na casa de Laurinha, não conseguia me concentrar no dever, ocupada em retirar os cadernos que a irmã-ilustre insistia em empilhar sobre o meu livro de poemas. Ele tinha que estar à mão para quando, a qualquer momento, o sabidão entrasse na sala.
E ele entrou, e para minha surpresa – e certa indignação – era um rapaz bastante comum, sem os óculos da minha imaginação, com um bate-papo à toa.
Fiquei esperando o momento em que falaria de teorias as quais eu nunca tinha ouvido, e de histórias mirabolantes que teriam acontecido com ele durante todo esse tempo em que estivera fora, mas nada. Não parecia muito interessado em repetir o que provavelmente todos queriam saber de um credenciado pelo MIT.
Perguntou minha idade, e eu respondi “quase 16” girando a capa do livro em sua direção, o que não surtiu nenhum efeito, nem prolongou o assunto. Então perguntei se gostava de poemas, disse que estava lendo Borges e nem era para a escola.
O irmão sabido deu de ombros, exclamou Boushit e disse que nesse ponto concordava com Bloom, “respeitado ensaísta norte-americano”, de que Borges era muito difícil de assimilar.
Eu que nunca tinha lido nem Borges nem Bloom, e não contava que o Dr. Altamiro fosse presentear meu avô com um livro que desmoralizasse a família, inventei uma desculpa qualquer para fugir dali, com o argentino debaixo do braço.
Estava muito confusa, mas decerto ele tinha razão. Eu ainda nem tinha 16, o Dr. Altamiro nunca tinha saído da nossa cidade, papai odiava argentinos, e ele era o irmão de Laurinha, credenciado pelo Instituto Tecnológico de Massachusetts.
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posted by Dedê Ranieri @ 3:29 AM

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Domingo, Janeiro 28, 2007
posted by Dedê Ranieri @ 1:56 PM

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Quarta-feira, Janeiro 24, 2007
Presentão de Aniversário, tks!
As mulheres de trinta - by Mario Prata O que mais as espanta é que, de repente, elas percebem que já são balzaquianas. Mas poucas balzacas leram A Mulher de Trinta, do Honoré de Balzac, escrito há mais de 150 anos. Olhe o que ele diz: “Uma mulher de trinta anos tem atrativos irresistíveis. A mulher jovem tem muitas ilusões, muita inexperiência. Uma nos instrui, a outra quer tudo aprender e acredita ter dito tudo despindo o vestido. (...) Entre elas duas há a distância incomensurável que vai do previsto ao imprevisto, da força à fraqueza. A mulher de trinta anos satisfaz tudo, e a jovem, sob pena de não sê-lo, nada pode satisfazer”. Madame Bovary, outra francesa trintona, era tão maravilhosa que seu criador chegou a dizer diante dos tribunais: “Madame Bovary c’ést moi”. E a Marylin Monroe que fez tudo aquilo entre 30 e 40? Mas voltemos à nossa mulher de trinta, a brasileira-tropicana, aquela que podemos encontrar na frente das escolas pegando os filhos ou num balcão de bar bebendo um chope sozinha. Sim, a mulher de trinta bebe. A mulher de trinta é morena. Quando resolve fazer a besteira de tingir os cabelos de amarelo-hebe passam, automaticamente a terem 40. E o que mais encanta nas de trinta é que parecem que nunca vão perder aquele jeitinho que trouxeram dos 20. Mas, para isso, como elas se preocupam com a barriguinha. A mulher de trinta está para se separar. Ou já se separou. São raras as mulheres que passam por esta faixa sem terminar um casamento. Em compensação, ainda antes dos quarenta elas arrumam o segundo e definitivo. A grande maioria têm dois filhos. Geralmente um casal. As que ainda não tiveram filhos se tornam um perigo, quando estão ali pelos 35. Periga pegarem o primeiro quarentão que encontrarem pela frente. Elas querem casar. Elas talvez não saibam, mas são as mais bonitas das mulheres. Acho até que a idade mínima para concurso de miss deveria ser 30 anos. Desfilam como gazelas, embora eu nunca tenha visto uma (gazela). Sorriem e nos olham com uns olhos claros. Já notou que elas têm olhos claros? E as que usam uns cabelos longos e ondulados e ficam a todo momento jogando as melenas para trás? É de matar. O problema com esta faixa de idade é achar uma que não esteja terminando alguma tese ou TCC. E eu pergunto: existe algo mais excitante do que uma médica de 32 anos, toda de branco, com o estetoscópio balançando no decote do seu jaleco diante daqueles hirtos seios? E mulher de trinta guiando jipe? Covardia. A mulher de trinta ainda não fez plástica. Não precisa. Está com tudo em cima. Ela, ao contrário das de vinte, nunca ficaram. Quando resolvem vão pra valer. Fazem sexo como se fosse a última vez. A mulher de trinta morde, grita, sua como ninguém. Não finge. Mata o homem, tenha ele vinte ou 50. E o hálito, então? É fresco. E os pelinhos nas costas, lá pra baixo, que mais parecem pele de pêssego, como diria o Machado se referindo a Helena que, infelizmente, nunca chegou aos 30? Mas o que mais me encanta nas mulheres de trinta é a independência. Moram sozinhas e suas casas tem ainda um frescor das de 20 e a maturidade das de 40. Adoram flores e um cachorrinho pequeno. Curtem janelas abertas. Elas sabem escolher um travesseiro. E amam quem querem, a hora que querem e onde querem. E o mais importante: do jeito que desejam. São fortes as mulheres de trinta. E não têm pressa pra nada. Sabem onde vão chegar. E sempre chegam. Chegam lá atrás, no Balzac: “a mulher de trinta anos satisfaz tudo”. Ponto. Pra elas.
posted by Dedê Ranieri @ 10:39 PM

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Segunda-feira, Janeiro 22, 2007
O menino de dezessete / ou Ensina-me a Viver - O que você faz?
- Sou advogada. - Que legal! E quanto você ganha? - ... ? - É, tipo em reais ... - Por que quer saber, vai me sequestrar? - Não, porque vou prestar vestibular. - Então ... Pode ganhar muito ou pouco, depende. - Fala aí, vai. Nem vou te sequestrar, meu pai é rico. - Ai menino, manda uma pergunta mais fácil. - Quantos anos você tem? - ... - Tá, também não pode falar. - Tenho muita idade, tipo 30. - ... - Eu disse, agora fica com essa cara assustada. - Ué, então, tipo ... você é casada? - ...
posted by Dedê Ranieri @ 2:19 PM

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Domingo, Janeiro 21, 2007
isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além, já disse o cachorro louco do leminski. e eu sou assim. e só sou assim porque dou ouvidos ao poeta, e quero chegar lá. portanto, não me culpem (e desculpem) quando desapareço, não atendo telefone, não dou parabéns, feliz natal, próspero ano. é culpa dele se eu me jogo. culpa dele e tantos outros cachorros loucos que eu leio de pequena. e eu me jogo, sempre! porque desde que me descobri personagem, não consegui parar. porque não consigo gostar mais ou menos das coisas. fazer mais ou menos as coisas. gostar mais ou menos das gentes. viver mais ou menos a vida. porque quando eu vou eu vou inteira. e às vezes demoro pra voltar. mas sempre volto, com meu bloco cheio de notas e uma bic sem carga. tudo isso porque anteontem eu fiz trinta e voltei com tudo, recarregada. dizem as más linguas que ando vampirizando criancinhas. no que eu respondo que criancinha é apenas um ingrediente do caldeirão. ô mania essa do povo querer simplificar tudo.
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e eu voltei, anteontem. voltei e corri pro espelho. expectativa grande demais pra esperar o check-up anual. queria tirar a prova sozinha. análise minuciosa. nenhuma ruga ou pé-de-galinha, nenhum fio de cabelo branco, nenhuma gordura localizada, além das já existentes. frente, verso, laterais. panorâmica. nada, nada tinha mudado. então me ocorreu uma idéia simples. eu não tinha acordado trinta anos mais velha. só um dia mais velha. então desisti dessa coisa de ficar procurando as marcas do tempo. agradeci por não ter feito mamoplastia redutora aos dezessete. e fui ler no jornal o que tinha acontecido com o mundo durante todo esse tempo que fiquei fora.
posted by Dedê Ranieri @ 10:50 PM

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Quarta-feira, Dezembro 20, 2006
(( Quem não ama o sorriso feminino Desconhece a poesia de Cervantes ))
posted by Dedê Ranieri @ 1:48 AM

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porque ficou o gosto indelével de um lambrusco em oferta
uma música que você não queria ouvir mas colocou pra me agradar
e de uma lua mais bonita vista da sua janela
porque a noite da heitor penteado tem uma lua mais bonita que em são bernardo
posted by Dedê Ranieri @ 12:52 AM

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Sexta-feira, Dezembro 15, 2006
Top 10, ou a sexta em que acordei DJ
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OK, OK e no ritmo de sábado/domingo resolvi ceder aos encantos da Electronic Electro, David Amo & Julio Navas
posted by Dedê Ranieri @ 12:27 AM

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Quarta-feira, Dezembro 06, 2006
(( No dia em que você Entrou pelo meu nariz Numa gota De lágrima Ou de suor Senti um gosto Salgado
E deu no hemograma completo a sua fotografia perdida na minha correnteza sanguínea
Depois nunca mais Saiu de mim. ))
posted by Dedê Ranieri @ 11:30 PM

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Terça-feira, Dezembro 05, 2006
 ... Porque sou loira, meu bem E dizem umas coisas por aí Essa vida não é nada fácil Pra quem tem meu tom de cabelo Leio Clarice na rua Até as cartas de Voltaire E no banheiro notícias do showbiz Porque não é fácil, meu bem Ter essa cor de cabelo E fazer em público Tudo que eu sempre quis.
posted by Dedê Ranieri @ 1:28 AM

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Segunda-feira, Dezembro 04, 2006
Como assim, eu estava de passagem? A minha rua é sem saída! ...
posted by Dedê Ranieri @ 4:51 AM

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Moderna era a minha vó, Dona Branca. Nordestina da Bahia, porreta, dois maridos no final da década de 40. Um de cada vez, e não por motivo de viuvez (rima involuntária, i swear!). Trocou porque deu na telha e pronto. Se teve outro motivo, ele se perdeu nos galhos da nossa árvore genealógica, e eu prefiro seguir acreditando na versão que me contaram - e que o DNA da legítima coragem baiana pode estar instalado em algum lugar deste corpo que vos escreve.
posted by Dedê Ranieri @ 3:42 AM

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Terça-feira, Novembro 28, 2006
No telhado - Cruzes, você mia! - Quê? - É, você mia quando fala com ele. - Tatibitate? - Não, miado mesmo. Mimimimi.... - Ah, os homens gostam de mulher que mia. Como fala com o seu namorado, então? - Eu não tenho namorado. - ...
(...)
- Mimimimi. - ... - Mimi.... - Tá, eu busco!
posted by Dedê Ranieri @ 12:12 AM

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Segunda-feira, Novembro 27, 2006
Ai que triste. Morreu o Jece Valadão, ícone da pornochanchada brasileira, maior símbolo da cafajestagem das antigas, meu ídolo em Eu matei Lúcio Flavio. Espero que um certo A. Frota não queira pleitear esse posto, porque o cafajeste moderno à altura atende pela graça de Isaías Camanducaia, e pode ser encontrado às segundas-feiras neste endereço.
posted by Dedê Ranieri @ 10:33 PM

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Sábado, Novembro 25, 2006
posted by Dedê Ranieri @ 2:21 AM

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Quinta-feira, Novembro 23, 2006
Porque só os Xico's (Ch) entendem as mulheres ...
(Pecado da gula é dos mais leves?)
"Mulheres, comam! Nada mais bonito do que uma mulher que come bem, com gosto, paladar nas alturas, lindamente derramada sobre um prato de comida, comida com sustança. Os olhinhos brilham, a prosa desliza entre a língua, os dentes, sonhos, o céu da boca. Ela toma uma caipirinha, a gente desce mais uma, sábado à tarde, nossa doce vida, nossos planos, mesmo na velha medida do possível. Pior é que não é mais tão fácil assim encontrar esse tipo de criatura. Como ficou chato esse mundo em que a maioria das mulheres não come mais com gosto, talher firme entre os dedos finos, mãos feitas sob medida para um banquete nada platônico. Época chata essa. As mulheres não comem mais, ou, no mínimo, dão um trabalho desgraçado para engolir, na nossa companhia, alguma folhinha pálida de alface. E uma tal de rúcula? Vixe!A gente não sabe mais o que vem a ser o prazer de observar a amada degustando, quase de forma desesperada, uma massa, um cuscuz marroquino/nordestino, um cabrito, um ossobuco, um barreado, um bife à milanesa, um torresmo decente, uma costela no bafo. Foi embora aquela felicidade demonstrada por Clark Gable no filme "Os Desajustados", quando ele observa, morto de feliz, Marilyn Monroe devorando um prato. E elogia a atitude da moça, loa bem merecida. Toda preocupação feminina agora está voltada para a estatística das calorias, as quatro operações da magreza absoluta, ditadura da tabuada, vida noves fora nada. É como se todas fossem posar para a "The Face"’ do dia para a noite, fazer bonito nos editoriais de moda, vôte! Mal sabem que isso não tem, para homem que é homem, quase nenhuma importância. François Truffaut, o francês cineasta, padrinho sentimental deste blogueiro, já alertava, em depoimentos registrados em suas biografias, o valor insuperável das mulheres normais e o seu belo mundo de pequenas imperfeições. Tudo sob medida das nossas taras. Além do prazer de vê-las comendo, pesquisas recentes mostram que as mulheres com taxas baixíssimas de colesterol costumam ser mais nervosas, dão mais trabalho em casa ou na rua, barraco. Nada mais oportuno para convencê-las a voltar a comer, reiniciá-las nesse crime perfeito. Às fogazzas, aos pastéis, aos cabritos assados e cozidos, ao sanduíche de mortadela, ao lombo, de lamber os lábios, ao chambaril, ao churrasco de domingo para orgulho do cunhado, que capricha na carne e sabe a arte de gelar uma loira de primeira. E aquela fava, meu Deus, com charque, enquanto derrete a manteiga de garrafa, último tango do agreste… O importante é reabrir o apetite das moças, pois homem que é homem não sabe sequer _nem procura saber_ a diferença entre estria e celulite. " Xico Sá
posted by Dedê Ranieri @ 3:52 PM

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Quarta-feira, Novembro 22, 2006
A pequena Bibi merece um post só para ela. Ontem ganhou medalha de prata no campeonato de handball do colégio. A pequena Bibi era a goleira, e não é porque ela é meu xodó não, mas defendeu melhor que que que ... todos os goleiros do mundo juntos! Isso é uma opinião técnica, claro. Como tia eu diria que a pequena Bibi ficou gigante dentro do gol, fazendo a família inteira babar na arquibancada - e alguns gurizinhos pilantras também, que eu vi. Até minha mãe, uma senhora discreta, fez coisas que nunca a vi fazendo, como entoar junto com a torcida o hino do "Lobo-Guará", xingar o juiz, uma loucura... Minha irmã, mãe da atleta-mirim, quando não estava sendo socorrida pelos paramédicos, fazia coisas tão absurdas que o meu cunhado era obrigado a desviar a atenção do jogo para contê-la. E eu tinha que impedir os fotógrafos de registrar as cenas, já que algumas eram deveras constragedoras para uma mãe. Só eu assistia ao jogo como uma pessoa distinta, por isso consegui escrever de forma tão imparcial.
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Falando assim parece até que só a família Ranieri-Wallendszus fazia coisas estranhas na torcida. Mas teve uma mulher, sem sombra de dúvidas mãe de jogadora, que fez todo mundo se sentir melhor. A maluca estava na beirada da arquibancada quase pulando, quando seu peito esquerdo, feito de wonderbra ou algo do gênero, despencou na quadra. A monoteta mandou um inocente correr para resgatar o peito, e a criança voltou exibindo aquele negócio de silicone sem entender nada. Que situação... Esse mico as avantajadas mulheres da minha família não pagariam não.
posted by Dedê Ranieri @ 11:13 PM

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Domingo, Novembro 19, 2006
Ele é tão tão tão mas tão querido por nós, que teve até seu nome incluído no amigo-secreto-es pecial-de-meninas. Ficou bravo, mas no fim viu que isso é amor puro ...
posted by Dedê Ranieri @ 8:51 PM

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Sexta-feira, Novembro 17, 2006
Foi horrível. Anteontem, véspera de feriado, quatro e meia da madrugada, atropelei um bichano preto bem filhotinho que saltou no meio da avenida prestes maia. Nem deu tempo de desviar. Eu que nunca atropelei nenhum bichinho em toda minha vida motorística, fiquei muito triste. Depois que chorei pelo gatinho que morreu na hora, fiquei preocupada com aquela história de que gato preto dá azar. Meus (muy) amigos, para me consolar, excederam no humor-negro. Disseram que dá azar sim, para o gato preto que cruza com uma loira de madrugada, que dirige tão mal como eu. Uns sem coração mesmo...
posted by Dedê Ranieri @ 12:12 AM

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Quinta-feira, Novembro 16, 2006
Ele tem praia no nome e um peixe tatuado no braço. Ele tem um sorriso de menino lindo. Praia, peixe, sorriso ocupavam a cadeira de São Bento, numa noite de céu cinco estrelas. Quando ele se apresentou, ela achou muito esquisito um menino com uma praia no nome, mas não disse nada. Quando ele sorriu de novo, ela entendeu que a praia era um pequeno detalhe. Podia caber um mundo todo dentro daquele sorriso. Ela só ficou intrigada com o peixe do lado de fora, colado no braço. E ficou se perguntando se Iemanjá teria alguma coisa a ver com aquilo.
posted by Dedê Ranieri @ 1:18 AM

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Odeio quando ela faz isso. Me convidou pra ir ao shopping ajudar a escolher uma blusa, um cinto, e um brinco pra usar à noite. Em cada loja me obrigava a experimentar alguma coisa que era "a minha cara", e eu, um pouco suscetível ao consumo, quando vi já tinha comprado quatro blusas e uma lingerie. E ela, duas blusas. Mas o fim da picada mesmo foi quando eu estava quase comprando uma mini-tartaruga (por influência dela!) nesses quiosques no meio do corredor. Disse as palavras mágicas, A Bibi vai amar.... Quando me dei conta, estava no meio de uma negociação do quelônio, mais um aquário, mais um monte de tranqueiras, denominadas Kit, que uma super-micro-tartaruga precisa. Graças a Deus tive um surto de lucidez, e parei a transação por ali mesmo, deixando a dona da banca um pouco irritada com a perda de um negócio de quase R$ 150,00. Eu te odeio, Adriana!
posted by Dedê Ranieri @ 12:10 AM

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Quarta-feira, Novembro 15, 2006
Coordenação Motora Precária, ou Relatos de Academia
Foi um grande choque para os meus amigos quando anunciei, há exatamente um mês, que tinha me matriculado na academia. Um choque que em seguida provocou risos em alguns, indiferença em outros. Os mais céticos (leia-se, os que me conhecem mesmo) disseram que matrícula não significava nada, que como das outras vezes eu faltaria até no exame médico. Mas a questão é que me deu um coiso, e para surpresa geral resolvi treinar de verdade. Eu, o mais preguiçoso dos seres, que pega o carro até para ir à padoca no mesmo quarteirão de casa, que suborna a pequena Bibi em troca de um copo d'água, dentre outras que não vou contar porque tenho vergonha... Acontece que de uma hora para outra virei degustadora de academia, cada dia pratico uma modalidade. Bike, aeróbica, body combat, pump, balance, yoga, pilates, musculação, GAP, o que vier pela frente. Os professores perguntam o que eu quero, e a única resposta que tenho em mente é Ficar gostosa, just! Mais? Eles questionam, surpresos (ok, eles nunca questionaram isso, mas deixa eu ser feliz!). Claro que na hora eu repito aquela balela toda de que, enfim, compreendi o quanto um esporte faz bem para a saúde física, mental, etc. Mas pelo meu empenho, eles já devem desconfiar que tenho outras pretensões menos saudáveis, como ser a nova loira do Tchan, por exemplo. Até aqui tudo lindo, sou uma representante legítima de dedicação e obstinação, certo? Errado. Uma pessoa dedicada e obstinada se concentra nos seus objetivos, e eu sou muito distraída. Nunca me concentro nos exercícios que estou fazendo, por mais simples que sejam. Ontem por exemplo, numa aula básica de pilates, eu me distraí tanto que até caí da bola. Foi um estrondo tão grande, que todo mundo pulou das bolas para ver o que tinha acontecido. Ainda bem que a aula era no escuro, e quando todos se viraram para ver a vítima do acidente, eu já estava de novo montada na minha bola, com cara de quem procurava o pato que caiu. Sobre as minhas tentativas de acompanhar o body combat nem vou comentar, porque ainda não superei esse trauma. Talvez um dia eu ainda escreva sobre isso.
posted by Dedê Ranieri @ 11:17 AM

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Segunda-feira, Novembro 06, 2006

Um simples ato de tietagem me fez revelar algo que eu não contaria nem sob tortura. Mas, como diria o grande Chavito "Me escapuliu ...". Eu estava na porta do banheiro de um restaurante (japa, obviamente) modernete de São Paulo, esperando aquele que semanalmente me suborna com iguarias japonesas, quando vi o Xuxa, também conhecido por Fernando Scherer, se aproximando. Ficamos os dois ali esperando, e eu não resisti. Elogiei o desempenho dele. Mas não o desempenho nas piscinas, sabe? E sim suas performances de dançarino no palco do Bailando por um Sonho, do Silvio Santos. Se você nunca assistiu ao programa, é uma espécie de Porta da Esperança (pensando bem, não tem nada a ver!), em que um telespectador quer realizar um sonho e é treinado por um coreógrafo pra dançar com um famoso, e concorre com outras duplas, etc. Claro que você já assistiu, mas deve estar disfarçando, que nem eu fazia até encontrar com o Xuxa na porta do banheiro. Só que agora não quero mais disfarçar, tão bom sair do armário! Adoro o Bailando por um Sonho... Ainda mais depois que o Xuxa revelou os próximos resultados das duplas. Posso até contar aqui em primeira mão, mas desde que você, querido leitor do bloguito, confesse que entre um filminho no Eurochannel e uma partidinha de tênis no Sport TV, você dá uma paradinha lá no programa do Silvio.
posted by Dedê Ranieri @ 11:54 AM

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Sexta-feira, Novembro 03, 2006
Papo-cabeça - Preciso resolver a minha vida. - Que parte? - Você sabe... Tô falando da gente. - ... - A questão é, ou a gente sai daqui hoje e nunca mais se vê, ou a gente sai daqui e casa. - E aí? - Aí que eu não quero sair daqui...
Papo-Cabeça 2 - Você é espirituosa. - Sou? - Alto-astral. - ... (ela estufando o peito). - E peituda! Você tá mais peituda ou é impressão minha? - Peraí, com quem você tá saindo, hein?
posted by Dedê Ranieri @ 12:15 AM

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Quinta-feira, Novembro 02, 2006
Me and Bobby McGee
I was playing soft while Bobby sang the blues ... Freedom is just another word for nothing left to lose, Nothing don't mean nothing honey if it ain't free, now now And feeling good was easy, Lord, when he sang the blues, You know feeling good was good enough for me, Good enough for me and my Bobby McGee ...
posted by Dedê Ranieri @ 10:56 PM

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Segunda-feira, Outubro 30, 2006
A verdade é que não desejava intimidade, desejava conversa. A intimidade é um dos caminhos para o silêncio, e mrs. Crowe abominava o silêncio. Esse é um trecho extraído do Retrato de uma londrina, de Virginia Woolf. E eu buscando respostas em Jung, Freud, Lacan ... Esse tempo todo sendo acusada pelos meus amigos de pára-raio de malucos, curva de rio, dedo podre, e por aí afora, pela minha imensa capacidade de aglutinar seres de comportamento duvidoso. Malucos mesmo. Não pelos malucos inofensivos, como aquele desconhecido que apareceu na minha festa de aniversário no Bourbon, não conversou com ninguém, saiu nas fotos, e na semana seguinte, sabe-se lá como, encontrou todo mundo no orkut. Ou aquele vestido de galinha e sapato plataforma na praia de Guarapari, que me convenceu a comprar alguns livros de sua 'própria autoria', e no fim era uma apologia louca a drogas psicotrópicas (inofensivo porque o texto era ilegível!). Mas pelos malucos anti-sociais que se escondem atrás de outra personalidade, e que em algum momento geram discórdia, desarmonia nos grupos. Malucos insatisfeitos com a própria vida, que querem a sua. Com certeza você já conheceu um desses. Desde pequena desenvolvi a incrível habilidade de reunir malucos de todo tipo, e o que é pior, com gente bacana. Segundo minha amiga Marcela, isso acontece porque gosto de quantidade. E agora vem a Virginia Woolf com esse papo de que não gosto mesmo é de intimidade. Sim, porque tal como a senhora Crowe, eu abomino o silêncio.
posted by Dedê Ranieri @ 2:55 AM

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Quinta-feira, Outubro 26, 2006
Alô Alô Fernandópolis! Se tiver ventando muito não venha de helicóptero. Lá do Jun Sakamoto mandaram avisar que o menu degustação vai ser inventado quando a gente chegar ...
posted by Dedê Ranieri @ 4:08 PM

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Deu na Folha de São Paulo. Homem sai pela avenida Paulista exibindo uma placa com o seguinte pedido: “Dá um abraço”. Segundo consta, trata-se do psicólogo e consultor de recursos humanos paulista, Ary Itnem Whitacker, de 45 anos, em calorosa luta contra o isolamento das pessoas no ambiente corporativo. Enquanto o consultor se expõe pelas ruas em prol de uma causa tão nobre, meu amigo M. Tashima se utiliza de tal prática para fins bem menos ortodoxos. E não é que dá resultado?
posted by Dedê Ranieri @ 12:13 AM

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Segunda-feira, Outubro 23, 2006
Que lindo a Luiza Possi cantando ... Seu Nome ... Quando essa boca disser o seu nome venha voando Mesmo que a boca só diga o seu nome de vez em quando Posso enxergar no seu rosto um dia tão claro e luminoso Quero provar desse gosto ainda tão raro e misterioso Do amor Quero que você me dê o que tiver de bom pra dar Ficar junto de você é como ouvir o som do mar Se você não vem me amar é maré cheia, amor Ter você é ver o sol deitado na areia Quando quiser entrar e encontrar o trinco trancado Saiba que meu coração é um barraco de zinco todo cuidado ... (letra de Vander Lee)
posted by Dedê Ranieri @ 9:54 PM

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